Na Semana da Consciência Negra de 2004 acontecia a primeira edição do projeto "Quizomba: o samba e outros batuques". Pouco mais de dez anos depois, muita história cercou o movimento londrinense que chegou para romper com preconceitos e resgatar o valor da cultura afro-brasileira. Inicialmente projeto de extensão da Universidade Estadual de Londrina (UEL), passou por algumas formatações e situações na última década, ficando, inclusive, alguns anos em suspenso. Mas voltou de vez e com força total no final de 2013, depois da morte de uma de suas principais lideranças, Yá Mukumby, dois meses antes.
Kennedy Piau Ferreira, um dos fundadores do projeto, conta que a ideia inicial era reunir o pessoal das escolas de samba e dos terreiros de candomblé e, assim, criar um espaço de sociabilidade para todos. "Não era somente uma festa, mas um ponto de encontro em que houvesse divulgação da manifestação cultural, numa perspectiva de combate à discriminação por meio do corpo e da arte. Para isso, eram realizadas rodas de samba, oficinas de dança e instrumentos e estudos em torno da cultura negra e africana. Quizomba foi idealizado para ser sentido, vivenciado e explorado. Isso tudo, com as pessoas colocando seus pés literalmente no chão. E esse formato continua até hoje."
Piau conta que o projeto, que inicialmente era vinculado à Casa de Cultura da UEL, logo foi descoberto pela juventude que gostava de samba. "No ano seguinte, tornou-se um projeto do Promic, no qual ficou vinculado durante dois anos. Infelizmente, houve um hiato de cinco anos, mas que foi rompido com a articulação de novos e antigos integrantes há pouco mais de um ano", lembra Maria Helena Bueno, também uma das fundadoras do projeto.
A força dessa retomada se deu ao fato, sobretudo, da morte de Yá Mukumby, que nunca faltou a uma edição sequer. Segundo Piau, a edição de retorno foi concebida para homenagear a líder religiosa e, devido ao sucesso de participação, os "órfãos" e articuladores do projeto perceberam que era necessário e possível o recomeço. "O que estava adormecido ressurgiu com uma garra impressionante. Não havia a possibilidade de não continuarmos", diz.
Nessa nova fase, foram iniciadas as oficinas do "Quizombinha", voltadas exclusivamente às crianças, e o fortalecimento da feira com exposição de arte e artesanato local.
Aprovado mais uma vez pelo Promic, o projeto teve 2014 como o ano de ouro. "Quizomba se consolidou como um espaço da tolerância, uma 'ode à diversidade'. Muita gente que já tinha ouvido falar do projeto mas nunca havia participado, chegou na expectativa e se encantou. No Quizomba, o participante é apresentado a uma série de dimensões que a pessoa não conhecia, aumentando, assim, seu repertório de fruição corporal. Dizemos que no dia do evento se estabelece uma conexão de todos com os agentes da natureza, criando uma atmosfera única", garante Jacqueline Almada, atual assistente de produção.
O sucesso de todas as edições do ano passado talvez tenha sido o combustível para que o grupo não desanimasse diante da não aprovação pelo Promic este ano. O grupo que hoje está à frente realizou uma plenária aberta e, com sugestões de todos os lados, decidiu arriscar e continuar o projeto por conta própria em 2015. "Acreditamos no trabalho coletivo e na arte como processo humanizador. Com a participação de vários artistas e produtores culturais, chegamos a um modelo viável e autossuficiente", comenta o produtor executivo João Gabriel Domenciano.
O evento, agora, é aberto gratuitamente somente às 300 primeiras pessoas que chegarem até às 16 horas e continua sendo realizado em todo primeiro domingo do mês. Em março, o projeto bateu recorde de público, reunindo cerca de 2 mil pessoas na Vila Cultural Kinoarte.
A próxima edição acontece no próximo domingo, dia 5 de abril, com show de Tigrão e da banda Homens e Caranguejos, além de roda de capoeira para as crianças a partir das 14h e oficina de toques de berimbau às 16h.

Serviço:
Quizomba: samba e outros batuques
Quando – Domingo (5), às 14h
Onde – Vila Cultural Kinoarte (Av. Pref. Faria Lima, 1399)
Quanto - R$ 10 (as 300 primeiras pessoas que chegarem até as 16h não pagam)

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