Quinze anos de rock brasileiro
Escrever a história do rock nacional deixou de ser uma tarefa inglória, destinada à lata de lixo das editoras. Aos livros já publicados sobre os Mutantes e sobre a explosão do gênero no País na última década, soma-se agora o volume Rock Brasil, de autoria de Carlos Alves Jr.
O livro, que traz o subtítulo Um Giro pelo Últimos Quinze Anos do Rock Verde Amarelo, reúne entrevistas e fotos preto-e-branco trocando as ambições de um texto panorâmico pelos depoimentos vivos dos protagonistas. O volume traz 116 páginas nas quais o autor dialoga com figuras de proa como Nasi e Edgard Scandurra (ambos do Ira!), Frejat (Barão Vermelho), Marcelo Nova (Camisa de Vênus) e baluartes do underground como Fernando Naporano (Maria Angélica), Clemente (Inocentes) e Zé Antonio (Pin Ups).
ReproduçãoPin Ups: representante dos anos 90Os papos giram em torno da trajetória dos artistas, as relações nem sempre amistosas com as gravadoras, a opção de gravar por selos independentes e o atual estágio do rock nacional. Entre os depoimentos inéditos, consta o de Nasi lembrando o show que deu origem à sua banda durante o primeiro festival punk realizado na PUC, em São Paulo.
Montamos uma banda que se chamava Ira! só para tocar aquela noite. Fizemos um repertório de quatro músicas, e a partir daí nós nunca mais paramos, a gente viu que era aquilo que nós queríamos fazer, viver do dinheiro conseguido com a música. O mesmo Nasi faz outra revelação. Quando nós gravamos Mudança de Comportamento(o álbum de estréia), o Edgard não tinha nem guitarra, era emprestada.
Fernando Naporano, líder da banda Maria Angélica e há anos morando em Londres, comparece no livro disparando farpas contra o preconceito de se cantar em inglês. A mídia brasileira é nacionalista e as universidades que por via de regra exercem influência na formação das pessoas, ao invés de darem ao aluno a poesia de Pasolini, oferecem Caetano. Que se pode esperar de um quadro clínico como esse?
ReproduçãoVioleta de Outono: psicodelismo paulistanoRoger, único remanescente da primeira formação do Ultraje a Rigor, acredita que sua banda influenciou várias das bandas surgidas nos anos 90. Os Raimundos têm uma coisa parecida, que é o lance da irreverência, do deboche meio ginasial que nós temos muito - diz. Carlos Alves, o autor, afirma que o livro nasceu de sua curiosidade de fã. Ele foi idealizado por uma pessoa que queria conhecer melhor as bandas que ouvia.
A pesquisa durou um ano e meio. Começou em janeiro de 97 e foi finalizada em maio de 98. Das bandas escolhidas para entrarem no volume, algumas das mais expressivas ficaram de fora. Não pude entrevistar os Titãs, os Paralamas e o Skank por causa de seus empresários e equipes de apoio - conta, acrescentando que foi obrigado a cancelar novas tentativas de abordagem para não atrasar a publicação.
ReproduçãoIra!: sucesso acidentalÉ que o livro contém algumas informações que poderiam ficar defasadas. Para corrigir essas lacunas, ele planeja publicar um segundo volume sobre o tema. Embora destaque a produção oitentista, Rock Brasil não deixa de abrigar o ruído atual dos porões, que se apresenta nas páginas através das bandas Pin Ups, Skamoondongos, Concreteness, Grape Storms, The Charts, Sara Cura Madona, Virna Lisi, Small Talk, Little Quail e Star Chrome.
Há depoimentos também de três grandes incentivadores da cena: Luiz Calanca (proprietário da loja Baratos Afins), Pena Schimidt (do selo Tinitus) e Farinha (da loja Bizarre). O diretor da rádio Brasil 2000 FM, Roberto Maia, é outro batalhador da causa que aqui assina o texto de apresentação. A diagramação de Rock Brasil remete a publicações gringas como Bikini e Ray Gun, com letras saltando das páginas e fotos repletas de interferências.
Algumas fotos, aliás, foram resgatadas do fundo do baú e cedidas pelos próprios entrevistados. Rock Brasil está saindo com uma tiragem de 3 mil exemplares. Está à venda a R$ 15,00 pelo reembolso postal. Aos interessados, o pedido deve ser feito via e-mail para o seguinte endereço: [email protected]çãoLivro contém depoimentos reveladores e algumas fotos exclusivasNelson Sato





