O Quinteto Violado, conjunto pernambucano que se transformou em referência musical obrigatória da década de 70, está completando 25 anos. A saudável longevidade do grupo será comemorada hoje, no Teatro da Reitoria, em Curitiba, com o show ‘‘25 Anos Não São 25 Dias’’. Numa feliz coincidência o quinteto abre a série do Projeto Pixinguinha, que retorna à cidade depois de alguns anos ausente de nossos palcos.
O projeto volta a acontecer graças à parceria que acaba de ser firmada entre a Secretaria de Estado da Cultura e a Funarte. O acordo prevê uma programação cultural mais extensa, da qual o Projeto Pixinguinha faz parte.
Além dos shows de MPB constam da agenda espetáculo de dança, exibição de filme, recitais de piano e de violino, palestra com o filósofo Gerd Bornheim, discussão sobre artes visuais e o retorno do musical ‘‘Viva o Povo Brasileiro’’, que empolgou a platéia do 6º Festival de Teatro de Curitiba.
Qualidade Quem acompanhou a vida artística dos anos 70 naturalmente aplaudiu o Quinteto Violado. Passou-se o tempo e a mídia voltou-se para outros cartazes. Como estar na onda não representa absolutamente quociente de qualidade, os integrantes do conjunto ficam à vontade. ‘‘Vinte e cinco anos, 28 discos’’, diz Toinho Alves, um dos fundadores do grupo. ‘‘Continuamos vendendo bem, embora não sejam números como os da Xuxa.’’
Na entrevista telefônica dada à Folha2 Toinho comentou que o conjunto se preocupa mais com a qualidade do som que com o brilho do sucesso. A trajetória de um quarto de século serviu como escola para os músicos. ‘‘Tivemos um profundo aprendizado brasileiro’’, afirma.
Acrescenta ainda que o show não será uma retrospectiva dos antigos sucessos, porque não existem razões para isso: ‘‘Nosso trabalho não estagnou. Ele continua novo, com cheiro de juventude’’.
LivroOrgulhosos, os cinco pernambucanos não perdem a chance de propagar as bodas de prata. Além do show está vindo aí um livro, ‘‘Bodas de Frevo’’, de autoria do jornalista Gilvandro Filho, que traça um paralelo entre a carreira dos garbosos músicos e os principais acontecimentos brasileiros.
No show que fará no Teatro da Reitoria o conjunto canta especialmente Luiz Gonzaga nas parcerias que fez com Zé Dantas (‘‘Cintura Fina’’) e Humberto Teixeira (‘‘Asa Branca’’). Outros clássicos são ‘‘Pisa na Fulô’’, de João do Vale, Ernesto Pires e Silveira Júnior e ‘‘Sabiᒒ, outra da dupla Luiz Gonzaga/Zé Dantas. Tem ainda ‘‘A Cantiga do Sapo’’, de Jackson do Pandeiro e Buco do Pandeiro, ‘‘Numa Sala de Reboco’’, de José Marcolino e Luiz Gonzaga, ‘‘Violeiros’’, de Djavan, ‘‘No Dia que eu Vim-me Embora’’, de Caetano Veloso. O repertório inclui também duas composições de Lenine, ‘‘Miragem do Porto’’ e ‘‘Leão do Norte’’, ‘‘Macô’’, de Chico Science e ‘‘Navio Negreiro’’, de Chico César. Estes três são filhos diretos do Quinteto Violado, conta Toinho Alves. ‘‘São frutos assumidos do Quinteto’’, afirma envaidecido. Com uma história dessas, não tem milhões de discos vendidos que tragam a mesma satisfação.
q Quinteto Violado - no Projeto Pixinguinha. Hoje, às 18h30, no Teatro da Reitoria. Ingressos: R$ 2,00.

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