Quinteto Violado adere ao Mangue Beat
Agência Folha
Movendo-se no terreno da música tradicional pernambucana, o Quinteto Violado afronta a tradição mais uma vez. Se há dois anos o grupo dedicou Quinteto Canta Vandré à obra do proscrito compositor paraibano dos anos 60 Geraldo Vandré, em 1999 desrespeita os cânones do movimento armorial - a tradição de música local pura, orquestrada pelo também dramaturgo Ariano Suassuna -, gravando, em Farinha do Mesmo Saco, os jovens autores da geração mangue beat.
Há duas reinterpretações de Chico Science & Nação Zumbi - Coco Dub e
Macô- e uma inédita -Ligação Direta- de Fred Zero Quatro, líder do Mundo Livre S/A e antagonista do establishment armorial de Recife. Aparecem ainda no disco canções pop modernas de Lenine (Leão do
Norte e Miragem) e dos grupos Querosene Jacaré (Pra Ficar Xique) e Coração Tribal (Guerreiro de Lança).
Para provar que, como reza o conceito do título, tudo é farinha do mesmo saco, o repertório se completa com um pot-pourri de Jackson do Pandeiro, Djavan (Violeiros), Caetano Veloso (O Ciúme) e até a oxente music do Mastruz com Leite (Venham Mais Cinco).
Farinha do Mesmo Saco dá prosseguimento a trajetória obstinada de pesquisa da música nordestina, iniciada em 1972 com o projeto Música Popular do Nordeste, conduzido pelo pesquisador Marcus Pereira. No mesmo ano, o Quinteto Violado estreou numa major (a Philips, agora Universal), atraindo atenções com uma releitura a um tempo tradicional e modernizadora de Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.
Marginalizado a partir do início dos 80, quando foi ejetado da grande indústria fonográfica, o conjunto mantém atividade ininterrupta desde então, quase sempre no circuito independente - desde 96, integra o elenco da pequena gravadora Atração, que abriga também rebeldes como Jards Macalé e Itamar Assumpção e vendeu 80 mil cópias de Quinteto Canta Vandré, mesmo sem apoio da mídia.
Da formação original, restam o violonista Marcelo Melo, 52, e o baixista Toinho Alves, 56, que preferem não se definir tradicionalistas. Nossa
trajetória é de uma proposta musical, de uma valorização que termina sendo a do homem brasileiro, define Marcelo.
A linguagem do Quinteto é atemporal, como a dos Mutantes, de muitos grupos. Fomos acompanhando os acontecimentos do mundo, as mudanças de comportamento. Acabamos exercendo influência junto a juventudes que iniciavam carreiras inspiradas em elementos de cultura original. Isso chegou até o Chico Science, com uma estética nova dentro de uma proposta iniciada pelo Quinteto, completa Marcelo, justificando a ponte com o mangue beat.Em seu novo disco, Farinha do Mesmo Saco, o grupo pernambucano registra canções de compositores da geração mangue beat
Arquivo FolhaQuinteto Violado: disco traz também composições de Caetano Veloso, Djavan e hits da oxent music





