São Paulo, 28 (AE) - O Quinteto da Paraíba é a atração de amanhã (29) do "Projeto Rumos Musicais", do Itaú Cultural, em São Paulo. É um dos melhores grupos de cordas da cena nacional - e uma das poucas formações estáveis do tipo. Começa a ser referência internacional e o grande público já teve contado com sua obra, mesmo que não o saiba - pela trilha sonora do filme "Central do Brasil", de Walter Salles (o quinteto é o intérprete da música "Toada e Desafio", de Capiba).
A estréia do grupo foi em 7 de setembro de 1989, no Allegro Bar, em João Pessoa - na época, era ainda um quarteto de cordas. A Orquestra Sinfônica da Paraíba estava em declínio e, para manter o nível musical já atingido - palavras do violonista Ronedilk Dantas, um dos fundadores do Quinteto da Paraíba - começaram a surgir pequenas formações, integradas pelos músicos da orquestra. Entre as formações estava o grupo que toca amanhã na cidade. Que tocava, inicialmente, Mozart, Beethoven, Borodin - mas que sentiu necessidade de fazer algo diferente daquilo ofercido pela formação em conservatórios. Um contrabaixista foi convidado a integrar o grupo, já com o propósito de tocar música da região, adaptada à linguagem do quinteto de cordas.
Hoje, já há compositores, como José Alberto Kaplan, Danilo Guanais e Clóvis Pereira, compondo especialmente para o grupo, obedecendo à filosofia musical do grupo. Que coincide, como se percebe, com a do Movimento Armorial, criado há 30 anos por Ariano Suassuna e que vive um ressurgimento. "Pode-se dizer que o Quinteto da Paraíba estimulou um renascimento, na década de 90, daquilo que aconteceu na de 70", diz Ronedilk Dantas. "O novo referencial que ajudamos a construir para esse tipo de música, por meio da pesquisa sonora, foi fundamental para o estímulo de compositores e arranjadores", completa. Não pode haver dúvidas sobre o que diz.
A música do Quinteto está ligada, desde sempre, à cena - teatro (15 Anos Depois, de Bráulio Tavares), cinema (Central do Brasil, Dead Letters, de Jane Campion, Por 30 Dinheiros, de Vânia Perazzo, este em fase de execução). No espetáculo de amanhã, o Quinteto da Paraíba vai tocar peças de seu novo projeto, uma homenagem a Luís Gonzaga e Capiba, obras de Antônio Nóbrega e de Astor Piazzolla. "O Movimento Armorial está para o baião como a música de Piazzolla está para o tango", explica Ronedilk. "Ambas possuem grande riqueza rítmica e melódica, além de serem lingagem típica de cada terra".
Os violinos do Quinteto da Paraíba são de Yerko Pinto e Ronedilk Dantas; viola, de Samuel Espinoza; violoncelo, de Nelson Campos; e contrabaixo, de Xisto Medeiros. O espetáculo começa às 18h30 e o ingresso é grátis (a ser retirado a partir das 17h30). O Itaú Cultural fica na Avenida Paulista, 149, telefone (011) 238-1816.

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