Rio - Os aposentos em que d. João VI viveu, numa chácara em São Cristóvão, hoje são ocupados por fósseis e réplicas de dinossauros, múmias egípcias e louças de Pompéia. A extensa coleção de 20 milhões de itens integra o acervo do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
  O local, conhecido como Quinta da Boa Vista, foi presente do traficante de escravos Elias Antônio Lopes e passou por reformas para receber o príncipe regente. Com a volta de d. João VI a Portugal, a residência passou a seu filho Pedro I e, depois, ao neto Pedro II, que nasceu ali. Com a República, abrigou a primeira Assembléia Constituinte.
  O embrião do Museu Nacional havia sido a Casa dos Pássaros, no Campo de Santana, no centro, criada em 1818 por d. João VI. Ali estavam reunidos animais e plantas que haviam sido recolhidos pelo interior do País por naturalistas e estudiosos. Em 1892, todo esse acervo foi transportado para a Quinta.
  Ao longo dos anos, a coleção só foi enriquecida. Estão lá uma réplica do Maxakalisaurus topai, o maior dinossauro já encontrado no Brasil, com 13 metros de comprimento, e o menor pterossauro, o chinês Nemicolopterus crypticus, de apenas 25 centímetros.
  Mas há outras preciosidades, como afrescos de Pompéia e espécimes raras, como um esqueleto de baleia do século 19. Para comemorar os 190 anos do museu, em julho, a fachada está sendo restaurada na cor original, amarelo ocre.
De impressionar
  Outro passeio agradável é a visita guiada à Biblioteca Nacional, na Avenida Rio Branco. O prédio quase centenário guarda cerca de 10 milhões de livros, periódicos e manuscritos – 60 mil deles trazidos por d. João na sua fuga de Portugal.
  Para incrementar a visita guiada, os setores são estimulados a fazer exposições. A de Obras Raras caprichou. Numa série sobre pecados, o da vez é a soberba. Entre espelhos e estojos de maquiagem de época, livros como ‘‘Queda que as mulheres têm para os tolos’’, traduzido por Machado de Assis, e um jogo de 1540, para ensinar ‘‘preceitos morais’’ aos filhos de João de Barros.
  A Biblioteca Real, assim que desembarcou, ocupou salas do Hospital da Ordem Terceira do Carmo, na Rua Primeiro de Março. Tempos depois, mudou-se para a Escola de Música e, em 1910, foi transferida para o atual endereço.
Missão
  Uma das maiores contribuições à cultura brasileira foi a vinda da missão artística francesa, da qual fizeram parte artistas como Jean-Batiste Debret, os irmãos Nicolas e Auguste Taunay, e Grandjean de Montigny. ‘‘Debret ficou 15 anos no Brasil e criou importante iconografia. Se não fosse por ele, seria difícil visualizar o Rio daquela época’’, afirma o arquiteto e urbanista Antônio Agenor de Melo Barbosa.
  Em 1816, d. João criou a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, que deu origem à Escola Nacional de Belas Artes, nas imediações da Praça Tiradentes. Em 1908, a escola foi transferida para a Avenida Rio Branco, vizinha da Biblioteca Nacional. Hoje, funciona ali o Museu Nacional de Belas Artes, com mais de 16 mil obras.
Relíquia
  O Espaço Cultural da Marinha guarda uma relíquia: a galeota construída em 1808 para a família real. Ela foi usada para os deslocamentos de d. João pela Baía de Guanabara até 1821. O espaço também é o ponto de partida para a visita à Ilha Fiscal, onde d.Pedro II realizou o último baile do Império, em 9 de novembro de 1889, seis dias antes da Proclamação da República. Mas essa é outra história. (C.T./Agência Estado)

SERVIÇO
Museu Nacional: Quinta da Boa Vista, São Cristóvão; tel.: (21) 2568-8262
Biblioteca Nacional: Av. Rio Branco, 219; tel.: (21) 2220-9484; Visitas: 11 e 15 horas.
Mnba: Av. Rio Branco, 199; visitas de terça a sexta-feira, das 10 às 18 horas
Espaço Cultural da Marinha: Av. Alfredo Agache, s/nº; tel.: (21) 2233-9165; de terça a domingo.

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