Jackeline Seglin
De Curitiba
A retrospectiva ‘‘Quincaju, a Força de um Mestre’’ vai marcar o reencontro de um escultor paulista com suas obras. Hoje, a partir das 18h30, o artista plástico José Joaquim Alves de Almeida - o Quincaju - estará no Museu de Arte Contemporânea, em Curitiba, para a abertura de uma individual de esculturas.
Nascido em Paranapanema (SP), Quincaju reside em Jacarezinho desde 1966. Aos 90 anos, o artista será homenageado com a primeira retrospectiva de sua carreira, que vai reunir 53 obras - a maioria pertencente a colecionadores.
A mostra tem curadoria de Suzana Lobo, coordenadora do Sistema Estadual de Museus da Secretaria de Estado da Cultura. ‘‘É uma exposição muito esperada pelo meio artístico, apesar do escultor ser pouco conhecido do grande público’’, diz Suzana Lobo.
A exposição foi montada em ordem cronológica, a partir de peças dos anos 60. São esculturas em madeira, ossos, pedras, cipó e folhas de coqueiro, cuja temática varia conforme o formato sugerido pela peça.
Segundo a curadora, as peças são bem-humoradas e retratam o cotidiano do artista. Este ano, Quincaju criou as obras ‘‘Mestre Cuca’’ e ‘‘Satisfeito’’ - nesta última, ele escreveu: ‘‘o homem alimentado é outra coisa’’. Suzana conta que o escultor passou por problemas de saúde e durante um período teve que se alimentar através de sonda. ‘‘Mas ele nunca perdeu o bom humor’’.
A primeira exposição de Quincaju foi em 1965, quando ele começou a esculpir em lápis. No ano seguinte, desenvolveu pesquisas sobre as características das madeiras de lei. Somente mais tarde iniciou trabalhos em outros materiais.
Atualmente, o escultor tem um pequeno espaço de trabalho em sua casa. Na porta, uma folha de papel identifica: ‘‘Atelier do Quincaju’’. Mas é no quintal, sob uma mangueira, que ele senta-se em um banquinho e afia o pequeno canivete, seu principal instrumento de trabalho.
Procurado pela Folha2, Quincaju falou pouco. Tímido, disse apenas que está tomando chás calmantes desde ontem. ‘‘Eu não estou sabendo de nada. Sei apenas que vai haver muita surpresa’’. Sobre sua carreira, desconversou: ‘‘ah, é uma história muito comprida!’’.
Durante a retrospectiva, será apresentado um vídeo sobre a vida e a obra do escultor. Quincaju foi contador e bancário. Com a falência do banco, ele ficou desempregado e, incentivado por amigos, passou a se dedicar às artes plásticas. ‘‘Conhecer Quincaju é amá-lo. Ele é doce e meigo. Existe muita poesia na sua simplicidade’’, finaliza Suzana Lobo.
‘‘Quincaju, a Força de um Mestre’’, exposição do escultor paulista Quincaju. Abertura: Hoje, às 18h30, no Museu de Arte Contemporânea (Rua Desembargador Westphalen, 16, em Curitiba). Prossegue até 15 de setembro, de terça a sexta-feira, das 10 às 19 horas; sábados e domingos, das 10 às 16 horas. Promoção: Secretaria de Estado da Cultura.

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