O ''vai e vem'' de atores nas novelas é rotina, como forma de renovar as caras que aparecem nos folhetins. Mas, entre novatos e veteranos, existem aqueles que optam por passar um tempo longe dos folhetins. Os motivos são os mais diversos: priorizar produções fora da tevê, como peças teatrais e produções no cinema, trabalhar em produtos mais curtos, como séries e minisséries ou problemas pessoais. ''Cordel Encantado'', novela das seis que estreia 11 de abril, na Globo, traz em seu elenco Matheus Nachtergaele e Luiz Fernando Guimarães, dois atores hoje bissextos nas novelas. Matheus não ingressa em um folhetim desde ''América'', novela de Glória Perez exibida em 2005, na Globo. ''Tenho inúmeros projetos de cinema e, sinceramente, faço pouca novela porque não tenho tempo para pensar em fazer televisão'', justifica.
Já Luiz Fernando Guimarães, apesar de ter um contrato longo assinado com a emissora, não é cobrado pela empregadora a fazer novelas. ''Nunca rolou essa obrigação. Todo ano a direção me perguntava qual eram os meus planos. Novela me parecia distante'', conta. O ator esteve em ''Uga Uga'', exibida em 2000, e desde então está fora dos folhetins. ''Apesar de ficar esse tempo todo em semanais, as falas das tramas estavam centradas em mim e em algum outro personagem, como no caso do Rui. Não trabalharei mais do que antes agora que estou fazendo novela'', argumenta ele, referindo-se ao seu papel em ''Os Normais''. Fernanda Torres, que dividia a cena com Luiz Fernando na série de Fernanda Young e Alexandre Machado, também não planejou seu afastamento das novelas. Atualmente no elenco da série ''Tapas & Beijos'', humorístico que estréia dia 5, na Globo, a atriz está fora dos folhetins desde 1986, quando participou de ''Selva de Pedra''. ''Passei 15 anos viajando para fazer cinema, para ir a festivais ou para atuar no teatro. Quando voltei começaram os seriados. Foi tudo natural. Mas voltaria a fazer novela'', garante.
Seu colega de cena no seriado, Wladimir Brichta, abandonou o posto de galã nos folhetins para ocupá-lo nos seriados da Globo. A retirada foi estratégica. ''Nas novelas, existem inúmeros atores com um perfil parecido com o meu. Já nas séries, nem tanto'', explica. Casada com Wladimir, Adriana Esteves também se dedicou a outras produções que não incluem novelas. Desde 2005, quando atuou em ''A Lua Me Disse'', a atriz, que protagoniza ''Morde & Assopra'', não esteve fora da tevê neste período, mas se dedicou a trabalhos de menor extensão, como ''Toma La Dá Cá'' e ''Dalva e Herivelto - Uma Canção de Amor'', ambos da Globo. ''Não senti falta. E, se estivesse fazendo uma novela atrás da outra, não teria tido tempo de fazer teatro, por exemplo'', explica. ''Mas a nossa prioridade são as novelas. Inclusive, isso é contratual'', complementa.
Existe também quem acredite que o problema está nas novelas. Esse é o caso de Lúcia Veríssimo. A atriz, que fez o seu último folhetim na Globo - ''América'', exibida em 2005 - preferiu selecionar seus próximos trabalhos baseada nas sinopses das produções. ''Falta intensidade nas novelas. Histórias que realmente interessem e que, por isso, valham a pena ser contadas'', opina ela, que retorna em ''Amor e Revolução'', do SBT, que estreia no dia 5. ''Aceitei o convite porque a história se passa em um importante período histórico no Brasil, a Ditadura Militar. Isso é bacana de ser mostrado'', justifica. Tiago Santiago, autor do folhetim da emissora de Silvio Santos, pensou em trazer antigos atores que caíram no ostracismo ao escalar o elenco desta produção. ''Busco resgatar talentos que às vezes ficaram sem turma, depois do afastamento de diretores que os escalavam'', explica.
Selton Mello é sempre lembrado pelos diretores e autores para ingressar em folhetins. O último a tentar trazer o ator novamente para esse tipo de produção foi Gilberto Braga, que o queria em ''Insensato Coração'', seu folhetim que está no ar na Globo. Selton, que nunca escondeu sua preferência pelo cinema, recusou o convite, pois já tinha planos de engrenar um longa neste ano. ''Não posso pedir para o Gilberto Braga fazer meu personagem viajar e passar três meses fora da novela. Não tenho cara para sugerir essas coisas. E nem cacife'', explica. Mas, mesmo longe dos folhetins desde 1999 - quando fez ''Força de um Desejo'', na Globo - Selton pretende voltar às novelas. ''A questão é que o ator quer se comunicar e a tevê permite isso. Às vezes, você se esforça tanto no cinema e não consegue tantos espectadores quanto os que assistem as novelas'', conclui.
Plano B
Fora das novelas durante muito tempo, alguns atores saem em busca de outras profissões para garantir o ''pão de cada dia''. Narjara Turetta é um dos exemplos. Depois de atuar em ''Páginas da Vida'', em 2006, ficou fora da teledramaturgia e chegou a montar uma barraca que vendia coco na Zona Sul do Rio. O caso se tornou público e, mais tarde, se iniciou uma forte campanha no Twitter da atriz - que atuou em 16 novelas entre 1976 e 1990 - para que algum autor a empregasse. ''Não sabia o que havia acontecido para não ser chamada. Tentava encontrar uma resposta e nada. Isso era desesperador'', lembra a atriz, que está no ar em ''Morde & Assopra'', novela das sete da Globo.
Tânia Alves ficou fora dos folhetins, mas não deixou de trabalhar. Atualmente em ''Araguaia'', antes esteve no seriado ''Amazônia - De Galvez a Chico Mendes'', exibido em 2007, na Globo. Entre as produções, a atriz se dedicou ao spa Maria Bonita, a carreira de cantora e ao teatro. Apesar disso, o afastamento da tevê fez o público acreditar que a atriz havia desistido da carreira. ''Quando você não está na teve as pessoas perguntam: parou? Não trabalha mais? Ficam achando que a gente esta vagabundeando, mas nada disso'', esclarece.

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