Questão de gosto
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de novembro de 2014
Luana Borges<br>TV Press 
A gastronomia está em alta. E basta dar uma rápida zapeada pelos canais, tanto abertos como fechados, para perceber que a programação da televisão acompanha esta tendência. Anos atrás limitada a programas femininos, como "A Maravilhosa Cozinha de Ofélia" e "À Moda da Casa", entre outros, a culinária se expandiu e ganhou ares de requinte. Se antes era vista como uma atividade da dona de casa, atualmente chefs de cozinha são "celebridades" e reality shows gastronômicos podem alavancar a audiência de uma emissora.
Não é à toa que canais como GNT, SBT, Band, Globo e Record dedicam parte de sua grade, em maior ou menor dimensão, a produções que têm a cozinha como destaque. Seja em quadros dentro de matutinos, como o "Hoje em Dia", ou em programas inteiros, como o "MasterChef". "É um formato internacional. Mas, como é culinária, não faz sentido fazer receitas que não sejam brasileiras. A culinária é uma linguagem universal, mas cada país adapta para a sua cultura", explica Marcelo Mainardi, vice-presidente comercial da Band, sobre o reality da emissora.
A versão brasileira do "MasterChef", aliás, saiu "melhor que a encomenda" para a Band, que tem como carro-chefe a cobertura esportiva. Mesmo antes da estreia, em 2 de setembro, a emissora já havia adquirido toda a franquia, o que inclui os programas "Junior MasterChef" e "Professional MasterChef". E tinha vendido todas as cotas de patrocínio. "A ideia é que, já no próximo ano, a gente consiga desenvolver um reality com crianças e, logo depois, com chefs profissionais", esclarece Fernando Sugueno, diretor do programa.
A culinária também permeia parte da programação da Globo. Principalmente no "Mais Você". Todos os dias, Ana Maria Braga apresenta uma receita. Mas, de tempos em tempos, o matutino exibe os quadros "Jogo de Panelas" e "Super Chef Celebridades". Os dois são competições gastronômicas. A diferença é que o primeiro acontece entre pessoas anônimas que preparam jantares em suas próprias casas. E o segundo é uma disputa entre artistas, que recebem dicas de chefs renomados e colocam em prática o que aprenderam através de receitas de alta gastronomia.
Na última edição do "Super Chef", Guga Rocha, que, há seis anos, participou da primeira, quando ainda não era restrita a famosos, atuou como uma espécie de mentor dos participantes. Para ele, a culinária veio para ficar nos programas de tevê. "Lá fora, isso já vinha acontecendo há muito tempo. No Brasil, ainda está no começo. Cozinhar virou uma válvula de escape, a pessoa se desliga de tudo e reúne os amigos e a família. Todos cozinham juntos", destaca.
De olho no crescente interesse do público por gastronomia, o SBT estreou a versão brasileira do "Hell's Kitchen". O "Cozinha Sob Pressão" começou com 14 participantes que precisam lidar com o temperamento forte do chef Carlos Bertolazzi. Quem "sobreviver" e chegar ao fim ganha o prêmio de R$ 100 mil em barras de ouro. "Sou fã de 'Hell's Kitchen' e fiquei animado quando soube que o formato seria exibido no Brasil pelo SBT. Melhor ainda foi quando recebi o convite para apresentar o programa. Quem quiser ganhar vai ter de aguentar a pressão, além de saber cozinhar", afirma Bertolazzi.
Assim como o "MasterChef" na Band, o "Cozinha Sob Pressão" rendeu bons patrocínios ao SBT, como Friboi e Ajinomoto. "Lançamos a primeira edição do programa já com grandes anunciantes e com um potencial imenso de ativar as marcas junto com um conteúdo dinâmico e cheio de ingredientes que vão dar o que falar", acredita Glen Valente, diretor Comercial e de Marketing do SBT.
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