Destruição do patrimônio público, interrupção de serviços essenciais tais como iluminação pública, telefonia e transporte, ambientes inseguros, aumento de tarifas públicas, menor investimento na cidade. Estas são apenas algumas das conseqüências do vandalismo – ato ou efeito de produzir estrago ou destruição de monumentos ou quaisquer bens públicos ou particulares, de atacar coisas belas ou valiosas, com o propósito de arruiná-las. O que muitos, principalmente jovens, encaram como um momento de diversão, extravasamento da agressividade ou demonstração de poder, pode causar graves conseqüências e afetar toda a população.
  Em Londrina, o patrimônio público é constantemente alvo da ação de vândalos. Quebra de lâmpadas e luminárias, furto de cabos telefônicos e de transmissão de energia, telefones e ônibus danificados, escolas depredadas, praças públicas destruídas. As bocas-de-lobo e a iluminação pública são os dois setores mais atingidos pelo vandalismo em Londrina, de acordo com o secretário municipal de Obras, Aloysio de Freitas. ‘‘As pessas jogam lixo nas ruas ou bueiros e quando chove a água empoça e entope galerias pluviais que desembocam nos rios e fundos de vale. Em relação à iluminação, as maiores ocorrências são de quebra de lâmpadas e furto de cabos’’, explica. A Prefeitura informa que nos últimos três anos foram gastos mais de R$ 30 mil com a reparação dos estragos na iluminação pública. ‘‘Os vândalos desconhecem o risco de seus atos para a própria saúde e da população. As lâmpadas dos postes contêm mercúrio – material pesado que pode contaminar o solo e atingir o ser humano. Outro perigo – o material das luminárias é cortante’’, alerta o gerente de iluminação pública, Antônio Luiz Sokoloski. ‘‘O maior ônus não é para o Município, mas para a população. Lugares mal iluminados dão margem à prostituição e à marginalidade’’, constata o secretário. Sokoloski informa que mais de 40 locais da cidade estão recebendo um sistema antivandalismo, com postes metálicos cônicos, luminárias de policarbonato – material mais resistente às pancadas – e cabos envelopados em concreto.
  Segundo a assessoria de imprensa da Companhia Paranaense de Energia (Copel), a quebra de lâmpadas e luminárias de iluminação pública e o arremesso de objetos contra a rede elétrica (como arames, correntes e tênis) são os principais atos de vandalismo contra o patrimônio da companhia. Além de gerar custos para a concessionária com deslocamento, mão-de-obra e materiais de reposição – apenas no reparo de lâmpadas e luminárias, em Londrina, são gastos R$ 20 mil mensais – o vandalismo compromete a segurança na distribuição de energia, principalmente quando realizado contra a rede elétrica. A presença de objetos estranhos nos fios provoca curtos-circuitos que deixam bairros inteiros sem luz, além de poder causar o rompimento de cabos que representam risco de choque elétrico para os pedestres.
  Outro serviço essencial alvo do vandalismo em Londrina é a telefonia pública. Conforme a assessoria de imprensa da Sercomtel, até setembro a empresa registrou 677 casos de vandalismo em telefones públicos – uma média mensal de 75,22. Até agora foram gastos R$ 25,2 mil para recuperar os danos. Em relação ao furto de cabos, a Sercomtel já registrou 26 casos. No total este ano, a empresa já precisou repor 2.806 metros de fios em função dos furtos, o que eqüivale a um prejuízo de R$ 45,6 mil. ‘‘A conseqüência imediata do vandalismo para o usuário é a interrupção do serviço. A Sercomtel possui uma equipe a postos para restabelecer o sistema no prazo máximo de oito horas caso seja registrada alguma ocorrência’’, assinala o gerente do setor de engenharia, implantação e manutenção, Marcos Marra. De acordo com o engenheiro, o alvo preferencial dos vândalos é o monofone, parte mais frágil do aparelho. Só este ano 14 aparelhos tiveram que ser completamente substituídos. O custo de um aparelho completo é de R$ 1.472.
  Ciclistas ‘‘pegando carona’’ na traseira de ônibus do transporte coletivo é cena comum em Londrina e uma das maiores causas de transtornos às empresas que operam o serviço. ‘‘Eles utilizam um nova técnica de enroscar ganchos utilizados na construção civil no pára-choque para ‘pegar carona’. As lanternas traseiras são itens de segurança e os carros não podem rodar com elas quebradas. O ônibus é recolhido para manutenção e quem sofre com atrasos até que o veículo seja substituído é a população’’, argumenta o diretor de operações da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), Daniel Martins. Segundo o diretor, vidros atingidos por pedradas, e destruição no interior do veículo (quebra de bancos) são a segunda e terceira causas de vandalismo, respectivamente. A empresa viu as ocorrências diminuírem (média de 250 em 2007 para 98 até agora este ano) devido a uma campanha de conscientização em uma escola da cidade. ‘‘Os maiores responsáveis pelo vandalismo em ônibus são estudantes. Elaboramos uma cartilha e realizamos um concurso de cartazes objetivando mostrar que o vandalismo causa transtornos, e zelar pelos ônibus é obrigação de todos’’, ressalta.
  Na Francovig, que atende a Zona Sul de Londrina com 22 linhas, são registrados atos de vandalismo de duas a três vezes por semana, revela o gerente de transportes Milton Félix. A maior ocorrência refere-se a quebra dos vidros das janelas, alvos de pedradas por usuários que não querem pagar a tarifa. De acordo com Félix, há algumas semanas a pedra atravessou a janela e atingiu a cabeça de uma passageira que, felizmente,
não teve ferimentos graves. ‘‘Além do atraso na prestação do serviço, o vandalismo coloca em risco a vida dos usuários e funcionários, além de encarecer a tarifa’’, pontua o gerente de transportes.

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