QUESTÃO DE EDUCAÇÃO - Vandalismo: desrespeito ao patrimônio e ao ser humano
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Caroline Vicentini<br> Reportagem Local 
Destruição do patrimônio público, interrupção de serviços essenciais tais como iluminação pública, telefonia e transporte, ambientes inseguros, aumento de tarifas públicas, menor investimento na cidade. Estas são apenas algumas das conseqüências do vandalismo ato ou efeito de produzir estrago ou destruição de monumentos ou quaisquer bens públicos ou particulares, de atacar coisas belas ou valiosas, com o propósito de arruiná-las. O que muitos, principalmente jovens, encaram como um momento de diversão, extravasamento da agressividade ou demonstração de poder, pode causar graves conseqüências e afetar toda a população.
Em Londrina, o patrimônio público é constantemente alvo da ação de vândalos. Quebra de lâmpadas e luminárias, furto de cabos telefônicos e de transmissão de energia, telefones e ônibus danificados, escolas depredadas, praças públicas destruídas. As bocas-de-lobo e a iluminação pública são os dois setores mais atingidos pelo vandalismo em Londrina, de acordo com o secretário municipal de Obras, Aloysio de Freitas. As pessas jogam lixo nas ruas ou bueiros e quando chove a água empoça e entope galerias pluviais que desembocam nos rios e fundos de vale. Em relação à iluminação, as maiores ocorrências são de quebra de lâmpadas e furto de cabos, explica. A Prefeitura informa que nos últimos três anos foram gastos mais de R$ 30 mil com a reparação dos estragos na iluminação pública. Os vândalos desconhecem o risco de seus atos para a própria saúde e da população. As lâmpadas dos postes contêm mercúrio material pesado que pode contaminar o solo e atingir o ser humano. Outro perigo o material das luminárias é cortante, alerta o gerente de iluminação pública, Antônio Luiz Sokoloski. O maior ônus não é para o Município, mas para a população. Lugares mal iluminados dão margem à prostituição e à marginalidade, constata o secretário. Sokoloski informa que mais de 40 locais da cidade estão recebendo um sistema antivandalismo, com postes metálicos cônicos, luminárias de policarbonato material mais resistente às pancadas e cabos envelopados em concreto.
Segundo a assessoria de imprensa da Companhia Paranaense de Energia (Copel), a quebra de lâmpadas e luminárias de iluminação pública e o arremesso de objetos contra a rede elétrica (como arames, correntes e tênis) são os principais atos de vandalismo contra o patrimônio da companhia. Além de gerar custos para a concessionária com deslocamento, mão-de-obra e materiais de reposição apenas no reparo de lâmpadas e luminárias, em Londrina, são gastos R$ 20 mil mensais o vandalismo compromete a segurança na distribuição de energia, principalmente quando realizado contra a rede elétrica. A presença de objetos estranhos nos fios provoca curtos-circuitos que deixam bairros inteiros sem luz, além de poder causar o rompimento de cabos que representam risco de choque elétrico para os pedestres.
Outro serviço essencial alvo do vandalismo em Londrina é a telefonia pública. Conforme a assessoria de imprensa da Sercomtel, até setembro a empresa registrou 677 casos de vandalismo em telefones públicos uma média mensal de 75,22. Até agora foram gastos R$ 25,2 mil para recuperar os danos. Em relação ao furto de cabos, a Sercomtel já registrou 26 casos. No total este ano, a empresa já precisou repor 2.806 metros de fios em função dos furtos, o que eqüivale a um prejuízo de R$ 45,6 mil. A conseqüência imediata do vandalismo para o usuário é a interrupção do serviço. A Sercomtel possui uma equipe a postos para restabelecer o sistema no prazo máximo de oito horas caso seja registrada alguma ocorrência, assinala o gerente do setor de engenharia, implantação e manutenção, Marcos Marra. De acordo com o engenheiro, o alvo preferencial dos vândalos é o monofone, parte mais frágil do aparelho. Só este ano 14 aparelhos tiveram que ser completamente substituídos. O custo de um aparelho completo é de R$ 1.472.
Ciclistas pegando carona na traseira de ônibus do transporte coletivo é cena comum em Londrina e uma das maiores causas de transtornos às empresas que operam o serviço. Eles utilizam um nova técnica de enroscar ganchos utilizados na construção civil no pára-choque para pegar carona. As lanternas traseiras são itens de segurança e os carros não podem rodar com elas quebradas. O ônibus é recolhido para manutenção e quem sofre com atrasos até que o veículo seja substituído é a população, argumenta o diretor de operações da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), Daniel Martins. Segundo o diretor, vidros atingidos por pedradas, e destruição no interior do veículo (quebra de bancos) são a segunda e terceira causas de vandalismo, respectivamente. A empresa viu as ocorrências diminuírem (média de 250 em 2007 para 98 até agora este ano) devido a uma campanha de conscientização em uma escola da cidade. Os maiores responsáveis pelo vandalismo em ônibus são estudantes. Elaboramos uma cartilha e realizamos um concurso de cartazes objetivando mostrar que o vandalismo causa transtornos, e zelar pelos ônibus é obrigação de todos, ressalta.
Na Francovig, que atende a Zona Sul de Londrina com 22 linhas, são registrados atos de vandalismo de duas a três vezes por semana, revela o gerente de transportes Milton Félix. A maior ocorrência refere-se a quebra dos vidros das janelas, alvos de pedradas por usuários que não querem pagar a tarifa. De acordo com Félix, há algumas semanas a pedra atravessou a janela e atingiu a cabeça de uma passageira que, felizmente,
não teve ferimentos graves. Além do atraso na prestação do serviço, o vandalismo coloca em risco a vida dos usuários e funcionários, além de encarecer a tarifa, pontua o gerente de transportes.


