O tempo e a prática foram os principais aliados de Erom Cordeiro na televisão. ''Cria'' do teatro, o ator soube amenizar as ansiedades iniciais da carreira até conquistar o conforto necessário para atuar no veículo. E é na pele do polido Fernando, de ''Império'', que o alagoano de 37 anos demonstra toda a segurança que adquiriu ao longo de sua trajetória. ''No começo, eu não sabia dosar a medida da interpretação para televisão. Foi algo que aprendi fazendo. Tive sorte de entrar em projetos que me permitiam tranquilidade para desenvolver os personagens'', explica ele, que, nos últimos anos, participou de produções como ''Morde & Assopra'' e ''Amor Eterno Amor''.
A oportunidade para integrar o elenco da novela de Aguinaldo Silva surgiu durante a última temporada de ''Malhação'', onde interpretava o professor João Luiz. Investindo em televisão com mais afinco nos últimos anos, Erom não hesitou em participar dos testes para o folhetim das nove – mesmo que isso significasse abdicar das férias. As gravações de "Império" começaram na semana seguinte ao fim da trama infantojuvenil. ''Para trabalhar, não tenho preguiça. Foi um papel que me interessou muito e estou cercado pela equipe incrível do Rogério Gomes'', elogia.
Na trama, o ator vive o correto namorado da sensível Cristina, papel de Leandra Leal. Completamente apaixonado pela mocinha, está sempre ao seu lado nas horas difíceis e faz de tudo para ajudá-la. No entanto, terá de disputar a jovem com o aspirante a chefe de cozinha Vicente, de Rafael Cardoso. ''Meu personagem é completamente devotado para a Cristina. Essa chegada do amor de infância dela vai balançar a história. Ele vai lutar bastante para não perder a namorada'', revela.
Por conta das gravações da reta final do folhetim adolescente, Erom teve um curto período de laboratório e "workshops" para o personagem. Ainda assim, chegou a acompanhar algumas aulas do preparador de elenco argentino Eduardo Milewicz. ''Não pude aproveitar tanto o quanto queria. Mas gostei da proposta dele de aproximar o elenco e personagens'', valoriza. Para montar o lado advogado do papel, Erom visitou, por duas vezes, o fórum público do Centro do Rio de Janeiro para se ambientar melhor com os detalhes da profissão. ''Observei um pouco as pessoas que estavam lá e tomei algumas referências desse universo. Queria buscar um ar menos informal para o papel'', ressalta.
Natural de Maceió, Alagoas, foi a curiosidade que levou Erom aos palcos. Após se inscrever em um curso de atuação para nível técnico, o ator acabou tornando o ''hobby'' profissão. Depois de trabalhar por dois anos com teatro no Nordeste, decidiu cursar Artes Cênicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. ''Vim para o Rio muito novo, aos 18 anos. Mas focado em querer estudar teatro e cinema'', lembra. Com nove novelas no currículo – entre participações e personagens fixos –, a televisão não esteve nos planos iniciais do ator. Porém, viu seus projetos mudarem após ser chamado para um teste de vídeo na Globo, onde estreou na temporada de 1998 de ''Malhação'' e participou da Oficina de Atores da emissora. ''Meu foco era o teatro. Era meio 'cabeça' e talvez tivesse um preconceito bobo. Mas, hoje, vejo como a tevê tem grandes produções de valor artístico'', afirma.

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