'Quero bons filmes para tocar o coração'
''Neste final de 2005, em alta velocidade, no meio de um imenso trabalho, não posso me dar ao luxo de parar para balanços ou mergulhar em reflexões sobre o ano que termina e que, óbvio, nos trouxe grandes ensinamentos.
No entanto, não posso fugir ao gentil convite para expor meus desejos em relação ao cinema brasileiro, para 2006. Assim sendo, vamos lá!
Meu primeiro desejo é que o ano de 2006 traga boas oportunidades para os cineastas que vêem sua atividade como uma missão transformadora para o bem da sociedade e do planeta. Também desejo que os bons filmes toquem os corações das pessoas e que tenhamos um mundo mais pacífico, mais justo e mais equilibrado. Desejo que a realidade possa ser efetivamente transformada pelos sonhos coletivos que se projetam nas grandes, médias e pequenas telas.
Desejo que o audiovisual seja uma escritura e uma leitura acessíveis a todos os cidadãos de meu país. Desejo que o cinema do Brasil ganhe prêmios pelo mundo afora. Desejo que o audiovisual do Brasil gere muitos empregos, muita riqueza e que nossos governantes percebam a importância dessa arte industrial.
Desejo que haja inovação estética e tecnológica em nosso cinema e que haja inovação na produção, distribuição e exibição cinematográfica. Desejo que nossos representantes consigam vencer as negociações internacionais, fazendo surgir um modelo que valorize a diversidade cultural mundial em todos os cantos do Globo. Desejo que o cinema brasileiro passe a ser um cinema feito em todas as partes do Brasil, com todas as cores e sotaques da nossa gente.
Desejo que a animação seja vista em todo o seu valor, como interface entre artes e ciências, como ferramenta cognitiva, como instrumento de comunicação de extremo poder, como 'locus' para a auto-descoberta, como o futuro do cinema presente já em seu passado.
Desejo, em particular, para meu time de cineastas: que a inspiração e a transpiração não faltem, que a saúde sobre, que a prosperidade e a harmonia continuem, que conquistemos novos apoios, parceiros e muitos, muitos, muitos espectadores. Quero que esses desejos se tornem vontades e que essas vontades se tornem ações. Por fim, espero que possamos brindar à vida, todos os dias, frame a frame.
Paulo Munhoz, cineasta de Curitiba, que está fazendo o primeiro longa-metragem em animação do Paraná: 'Brichos''





