''Quero aprender o máximo sobre cinema''
Quem diz é Jude Law que admite ter sido proveitoso trabalhar com Minghella
ReproduçãoJude Law, em cena com Matt Damon: rumo ao estrelato internacionalJude Law é uma das mais talentosas descobertas do cinema independente inglês. Egresso do teatro, onde já conquistou indicações para o prêmio Olivier de teatro britânico e para o Tony, o Oscar do teatro americano, o ator de 28 anos começou a construir carreira em filmes de pequeno porte porém de forte conteúdo artístico. Entre eles, Bent (1997), de Sean Mathias, e Wilde (1997), de Brian Gilbert. Além disso, o ator é sócio da Natural Nylon, uma produtora.
O mais recente movimento de Law em direção ao estrelato internacional é seu papel em O Talentoso Ripley, no qual interpreta o playboy Dickie Greenleaf, objeto da afeição de Gwyneth Paltrow e da obsessão criminosa de Matt Damon. O personagem lhe rendeu a indicação ao Oscar na categoria Melhor Ator Coadjuvante.
Você conhecia Ripley, o herói da série de livros de Patricia Highsmith?
Jude Law O Sol por Testemunha, do René Clement, foi o meu primeiro ponto de referência quando me ofereceram o roteiro de O Talentoso Ripley. Não li os livros de Patricia Highsmith. Adorei aquele filme, a presença de Alain Dellon é marcante. Ao contrário da versão de Minghella, o Ripley de Clement é tão autoconfiante e feliz com sua boa aparência. Nem passa por nossas cabeças que ele aja daquele jeito por outro interesse que não o jogo financeiro. Mas é um bom filme.
Como foi trabalhar com Anthony Minghella?
Ele (Minghella) tem uma visão completa das histórias com as quais trabalha. É um diretor que se envolve totalmente com a interpretação que tem do filme. É encorajador trabalhar com alguém que faz tudo para que você esteja feliz no set. Ele cria condições para que você compreenda o bebê que ele está gerando. É impossível não mergulhar com ele no projeto de um filme.
Como você descreveria Dickie, o seu personagem no filme? Como você o construiu?
Dickie é um típico filho de milionário dos anos 50, formado em Princeton. Anthony me deu vários livros sobre personalidades que se formaram lá e outros sobre como era viver e crescer em diferentes partes da Nova York dos anos 50. Mas o que há de mais interessante em Dickie é o seu caráter destemido: ele conversa com todo tipo de gente, entra num clube e sobe no palco para cantar uma música com a mesma facilidade. Ele sabe que tem poder, é rico, é um americano em terra estrangeira.
O que o levou a se tornar produtor?
Acho que, no início, não via nossa iniciativa de abrir uma companhia como um desejo de nos tornarmos produtores. Era apenas uma chance de desenvolvermos projetos de cinema que achávamos interessantes e também podermos trabalhar juntos. É o outro lado do negócio. Quero aprender o máximo possível sobre a narrativa cinematográfica.





