Querelle em Paranaguá
DivulgaçãoA peça Querelle, escrita por Jean Genet, discute o poder da sedução em meio à marginalidade e foi adaptada para o palco do Teatro Lala Schneider porQuerelle em Paranaguá
Nova montagem da obra de Jean Genet mostra o personagem no submundo do cais no litoral paranaense
Elisa Marilia Carneiro
Querelle é um marinheiro abençoado com a graça da beleza e da sedução. Ele é o objeto de desejo e por ele todos se encantam. O espetáculo Querelle, inspirado na obra do dramaturgo francês Jean Genet, estréia amanhã no Teatro Lala Schneider, às 21 horas. A peça fica em cartaz até o dia 2 de maio, de quinta-feira a domingo.
Dirigida por Cesar Almeida, a estória de Querelle confunde-se com a estória do submundo do mar. O seu mundo é o reverso do nosso, seu paraíso é nosso inferno. É nesse contexto, iluminado pelo lirismo da poesia de Jean Genet que se apresentam seus personagens - assassinos, ladrões, prostitutas, homossexuais, policiais, cafetões e cafetinas - uma linhagem de personagens que o mar e o cais do porto escondem só para si e seus habitantes.
Querelle foi concebido tendo como base o texto homônimo de Jean Genet, autor de obras teatrais de caráter antinaturalista, dotadas de uma dimensão mítica e poética, o que o coloca no patamar de um dos maiores dramaturgos do século XX. Suas obras poéticas, teatrais e narrativas possuem uma temática ligada à violência, à marginalidade e à injustiça social.
É nesse ambiente que evolui o protagonista desse romance. O estranho poder de Querelle sobre os humanos é tão perigoso que destrói a tudo por onde passa. Com ele, Genet nos faz sentir toda a estranha sedução do mal, a beleza da traição, o encanto do homicídio, vestidos com as pompas de uma transfiguração poética que dá ao mundo subterrâneo dos marginais a aura gloriosa de uma procura através dos labirintos da alma humana.
Segundo o diretor Cesar Almeida, este é um projeto antigo, desde que conheceram o filme em 1982. Esse romance é uma obra-prima da literatura do século XX. Colocá-lo em cena foi um desafio. Não é fácil trabalhar toda essa carga do submundo sem pudores, sem medos. O texto não é nada superficial, ao contrário, é uma obra densa, afirma.
Para compor o elenco do espetáculo, Cesar Almeida contou simultaneamente com a participação de grandes profissionais paranaenses e de expoentes da nova geração. Trouxemos o tema para a nossa realidade, para o nosso tempo, conta. O cenário de Querelle é bem próximo: o Porto de Paranaguá. O diretor pretende dar ao trabalho um clima de bordel à brasileira, bordel paranaense.
A direção musical de Plínio Campos preza pela criação de um clima contemporâneo. Os cenários de Wellington, em tons fortes e quentes representam de maneira simbólica o que pode haver entre a tênue linha que separa o desejo e paixão da luxúria e do crime.
A iluminação, também de Cesar Almeida, os figurinos e adereços de Zenor Ribas completam o clima. A coreografia é uma criação de Fábio Tavares, membro do Cirqué du Soléil. A produção é de Isydoro Diniz.
Querelle. Teatro Lala Schneider, de 15 de abril a 2 de maio, de quinta-feira a domingo, sempre às 21 horas. Ingressos a R$ 10,00 e R$ 8,00 com bônus e R$ 5,00 para a classe.





