ReprpduçãoMary Shelley queria escrever ‘‘uma história que falasse aos misteriosos medos da nossa natureza’’Há mais de 150 anos o monstro de Frankenstein apavora milhões de pessoas no mundo todo, principalmente por causa de suas versões para o cinema. Mas poucos conhecem sua criadora: Mary Shelley. A escritora criou o monstro e seu criador, o cientista Victor Frankenstein, quando tinha 19 anos, em 1816. Desde essa época, o monstro tornou-se mais famoso do que ela. Hoje, comemora-se o 200º aniversário de nascimento dessa artista, considerada por alguns críticos como a fundadora da ficção científica, que viveu entre monstros e poetas.
Mary Godwin Wollstonecraft nasceu em Londres. Era filha do político anarquista e escritor William Godwin e da escritora e uma das primeiras líderes feministas da Inglaterra Mary Wollestonecraft, morta em consequência do parto.
Com 16 anos, Mary conheceu o poeta Percy Bysshe Shelley, cinco anos mais velho e já famoso por ter sido expulso da Universidade de Oxford ao defender o ateísmo. Ele já era casado, mas isso não impediu que os dois iniciassem um relacionamento. ‘‘Era como estar encenando uma história de ficção, como interpretar um romance’’, escreveu Mary sobre essa relação. Eles se casaram em 1816, duas semanas após o suicídio da esposa de Shelley, Harriet Westbrook.
Obra-prima Nesse ano eles passaram uma temporada na Suíça, onde Mary escreveu sua obra prima, Frankenstein ou o Prometeu Moderno, a história de um cientista que procurando dar vida a coisas inanimadas criou um monstro, com partes de cadáveres, e foi destruído por ele.
Arquivo FolhaBoris Karloff foi o mais memorável dos Frankensteins do cinema
No prefácio do livro, Mary contou que ela, Shelley, o poeta lorde Byron e o médico John William Polidori estavam passando um verão chuvoso nos arredores de Genebra, perto do Lago Leman. Certa hora, Byron sugeriu que cada um escrevesse uma história de fantasma. Polidori, disse Mary, ‘‘concebeu qualquer coisa sobre uma mulher que tinha por cabeça uma caveira, e que assim fora castigada por haver espiado através de um buraco de fechadura’’. Byron escreveu um conto sobre vampiros, tema que utilizou no poema Mazeppa. Seu marido começou um conto ‘‘baseado nas primeiras experiências de sua vida’’. Contudo, segundo ela, ‘‘os ilustres poetas, também entediados pela chatice da prosa, rapidamente abandonaram a desagradável tarefa’’.
Mary, porém, persistiu. Ela queria escrever ‘‘uma história que falasse aos misteriosos medos da nossa natureza e despertasse um espantoso horror capaz de fazer o leitor olhar em torno amedrontado, capaz de gelar o seu sangue e acelerar os batimentos de seu coração’’. A escritora completou: ‘‘Se eu não conseguisse isso, minha história de fantasmas seria indigna do nome’’.
A artista conseguiu bem mais do isso. Frankenstein, além de ser um emocionante livro de aventuras que ainda hoje assustam, é uma reflexão sobre os poderes de criação do homem.
Em 1822, Shelley morreu afogado num acidente de barco na costa da Itália e Mary voltou para a Inglaterra, onde criou seu filho com Shelley, Percy. Não se casou novamente, mas teve vários casos e um pedido de namoro feito pelo escritor francês Prosper Mérimée, que recebeu uma elegante negativa.
Ela também escreveu poemas, contos e outros romances, mas nenhum conseguiu o sucesso de Frankenstein. No dia 1º de fevereiro de 1851, aos 53 anos, ela morreu de tumor cerebral.

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