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Um dos maiores bateristas da história, Neil Peart saiu de cena no último dia 7 como uma lenda da música mundial. Vítima de câncer no cérebro, o músico que integrava a pioneira banda de rock progressivo Rush e que morreu aos 67 anos deixou para a eternidade um legado que influenciou diversas gerações de bateras. Dono de um estilo exuberante com pleno domínio técnico, o canadense será sempre lembrado por suas performances notáveis e pelas letras de canções de sua autoria inspiradas em ficção científica, magia e filosofia.

Neil Peart: um dos maiores bateristas do mundo pela técnica, sonoridade e pelas músicas com alto grau de dificuldade que compunha
Neil Peart: um dos maiores bateristas do mundo pela técnica, sonoridade e pelas músicas com alto grau de dificuldade que compunha | Foto: Ethan Miller/ AFP

Autodidata, com apenas 13 anos de idade Neil Peart recebeu um par de baquetas, alguns pratos de aprendizagem e lições de bateria com a promessa de que se estudasse durante um ano com afinco, seus pais comprariam uma bateria. Graças ao bom desempenho, recebeu sua primeira bateria um ano depois e passou a se dedicar ao instrumento com devoção.

Em 1974, entrou na banda canadense Rush. Ao longo da carreira, além do hard rock que tocava com precisão, Peart começou a absorver a influência de músicos de jazz. A fusão de gêneros resultou em uma renovação em suas performances e rendeu a ele inúmeros prêmios e reconhecimento mundial. O baterista também assinou letras de diversas músicas lançadas pela banda Rush e escreveu cinco livros com relatos de viagens.

A morte de Peart comoveu músicos do mundo inteiro, incluindo grandes bateristas londrinenses. “Neil Peart está entre os maiores bateristas do mundo, seja pela técnica, sonoridade e principalmente pelas músicas com alto grau de dificuldade que ele compunha. Suas músicas tinham compassos que se alternavam, mistos, compostos, ímpares e etc. Então não perdemos apenas um baterista e sim um compositor/baterista”, destaca Gilson Corsaletti, que há 30 anos é integrante da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (Osuel).

“Ele foi um dos ícones do rock e uma referência para todos que surgiram na bateria depois dos anos 70. Acredito que ele tenha sido responsável por uma revolução na linguagem musical e por isso se tornou uma das vertentes do rock mundial”, enfatiza Bruno Cotrim, londrinense que atua como baterista na cidade há 23 anos.

Lendas da batera

Bruno Cotrim cita o baterista americano de jazz Papa Jo Jones, o britânicos Ian Paice (Deep Purple)e John  Bonham (Led Zeppelin) entre as lendas mundiais da bateria
Bruno Cotrim cita o baterista americano de jazz Papa Jo Jones, o britânicos Ian Paice (Deep Purple)e John  Bonham (Led Zeppelin) entre as lendas mundiais da bateria | Foto: Rei Santos/ Divulgação

O baterista de jazz americano Papa Jo Jones (1911-1985), o britânico Ian Paice - integrante da banda britânica Deep Purple, e o inglês John Bonham (1948-1980), que fazia parte da banda Led Zeppelin estão entre as lendas mundiais da batera citadas pelos bateristas londrinenses Gilson Corsaletti e Bruno Cotrim.

“Acho que estes três estão no mesmo patamar que o Neil Peart”, afirma Cotrim. “Citar os maiores bateristas da música mundial não é tarefa fácil, sempre faltará algum importante na lista. Entre os que causaram mudança na forma de tocar e influenciaram novas gerações desde o início do século XX também estão o Elvin Jones, o Joe Morello, o Ginger Baker e o Nicko McBrain”, destaca Corsaletti em meio à lista com instrumentistas e diversas nacionalidades.

Já entre os bateristas brasileiros relevantes, Corsaletti cita Milton Banana. “Pela técnica precisa e pelo vigor de tocar samba. Rubens Barsotti, do Zimbo Trio, pelo estilo elegante e forma diferente de conduzir o samba e a bossa nova. O Nenê, gaúcho que gravou com Elis pela personalidade inconfundível na bateria, seja tocando com Elis ou tocando Jazz. O Edu Ribeiro, que foi baterista da Rosa Passos por muitos anos, pela precisão e musicalidade na execução de ritmos brasileiros. E o Kiko Freitas pela maneira explosiva e precisa em suas performances com João Bosco”, salienta. Cotrim também cita Kiko Freitas. Além de Edu Ribeiro, que toca no Trio Corrente, e Marcio Bahia, baterista de Hermeto Pascoal.

Entre os que causaram mudança na forma de tocar desde o início do século XX, Gilson Corsaletti cita Elvin Jones, Joe Morello, Ginger Baker e  Nicko McBrain”
Entre os que causaram mudança na forma de tocar desde o início do século XX, Gilson Corsaletti cita Elvin Jones, Joe Morello, Ginger Baker e  Nicko McBrain” | Foto: Celso Pacheco/ Divulgação

Desafios contemporâneos

Além de habilidade técnica e pleno domínio dos instrumentos, os bateristas contemporâneos têm como desafio as programações eletrônicas que muitas vezes os substituem em gravações musicais. "Esse cenário eletrônico vem desde o início dos anos 80. Eu acredito que a tecnologia vem para somar ao baterista/percussionista, se ele assim o desejar. Isso na parte artística, pois na parte nas gravações comerciais, realmente o baterista já não participa mais. Os caras fazem a programação da bateria pelo computador e, por isso, o baterista fica fora deste mercado”, aponta Corsaletti.

Apesar dos avanços tecnológicos, ele defende a atuação dos músicos no lugar das programações eletrônicas. “A arte de percutir sempre teve no homem sua máxima expressão e vem sendo desenvolvida independente da tecnologia porque ela continua sendo tátil, visceral e sensorial. Podemos até incrementar com recursos eletrônicos, mas a essência será sempre a baqueta na perna ou algo similar”, conclui.

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