'Quem não arrisca é artista morto'
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terça-feira, 04 de dezembro de 2001
De Londrina 
Ainda em processo de sedimentação de carreira, Rita Ribeiro é coerente ao reclamar por não ter estourando país afora. Muito menos choraminga pelos cantos a falta maior de compreensão do público que não a tornou uma boa vendedora de discos. Rita tem consciência de que caminha pelas margens. Isto é: entre o caminho fácil de rechear seus discos com canções e mais canções de medalhões da MPB, prefere ela buscar autores não alcançados pelos holofotes da mídia. ''Sei que isso é um risco no atual mercado, mas artista que não arrisca é artista morto. Eu sigo minha intuição e enfio a cara mesmo'' enfatiza.
Os dois primeiros discos venderam juntos pouco mais de 50 mil cópias. Pouco? ''De fato não tive a projeção merecida. Para alguns pode ser um processo lento, mas cada passo que dei até agora foi firme e decisivo'', argumenta. Essa autonomia, em contrapartida, lhe dá plenos direitos de fazer planos a médio prazo de fazer discos somente com compositores maranhaenses. ''Tem tanta gente boa de se gravar'', informa.
Porém a prioridade mesmo é trazer ao público um disco só com músicas de ''seo'' Antonio Vieira, compositor cuja importância cultural no resgate das tradições musicais do Maranhão, o coloca no panteão de artistas do calibre do baiano Batatinha ou, resguardadas as proporções, de Cartola ou Nelson Cavaquinho. Um mestre, enfim. Ao gravá-lo nos dois primeiros discos, Rita Ribeiro retirou-o do ostracismo.
Enquanto esse projeto não sai das intenções, Rita está de norte a sul divulgando ''Comigo''. Ah, sim, aqueles rolinhos nos cabelos não mais existem. Seria um fato irrelevante se ela não tivesse soltado a juba justamente às vésperas do lançamento do novo disco. ''Acho que essa mudança de visual é um reflexo do momento. Queria, de fato, causar impacto mas ao mesmo tempo não fugir da minha referência musical pop. Daí achei a cor vermelha ideal'', informa. Então tá! (A.M.J.)


