Quem foi o Barão
Quem foi o Barão
Nascido em Paranaguá, em 6 de agosto de 1845, Ildefonso era filho do já polêmico Manoel Francisco Correia Júnior, o Moço. Figura de proa nos movimentos de emancipação política, ele não tardou em mandar o herdeiro para estudar finanças no Rio de Janeiro e, depois, para estágios promissores em Buenos Aires e Montevidéo.
A volta a Paranaguá, para se dedicar ao mercado da erva-mate, ramo tradicional da família, também serviu para que o futuro Barão consolidasse sua união com a prima Maria José. E foi com ela, que se mudou mais tarde para Curitiba, onde passaram os melhores e os piores momentos de suas vidas.
Foi como um líder natural da cidade, que Ildefonso fundou o Clube Curitibano, presidiu a Associação de Propaganda da Erva Mate, assumiu a presidência da Província e se engajou na Confederação Abolicionista. Empenho que acabou lhe rendendo o título de Barão do Serro Azul em 1888, pelos assinalados serviços prestados à Coroa.
Mas mesmo com a proclamação da República, ele não se deteve apenas aos seus próprios empreendimentos, fundando ainda o Banco Mercantil e Industrial e a Associação Comercial do Paraná, que perdura até os dias de hoje.
PESADELO - O pesadelo pessoal e histórico do Barão, depois de uma carreira tão brilhante, só começou mesmo em meados de janeiro de 1894, quando o cerco das tropas revolucionárias, que buscavam a volta da monarquia parlamentarista, chegaram ao estado. Enquanto os combates aconteciam na Lapa, cidade em que as tropas legalistas realizavam resistência, o Barão, escolhido por unanimidade, utilizava a diplomacia para defender a capital da ação dos rebeldes.
Como o governador do Paraná, Vicente Machado, foi forçado a deixar Curitiba, o Barão acabou coordenando também os trabalhos políticos da cidade, oferecendo inclusive dinheiro aos invasores para evitar saques nas casas e empresas. Trabalho que foi mal interpetado pelas tropas legalistas, passando a imagem do Barão, não como a de um lutador pela integridade de Curitiba, mas de um colaborador dos invasores.
PUNIÇÃO - Com a restauração do governo da legalidade vieram, imediatamente, as inevitáveis medidas de punição para todos aqueles que tinham contribuído para a revolução. Entre eles, Ildefonso Pereira Correia, que numa carta dirigida a seu irmão Manoel Francisco, um dia antes da prisão, dizia: As acusações que me fazem são falsas ou sem fundamento. Tenho consciência de que tudo quanto pratiquei, logo que nosso estado foi invadido pelas forças revolucionárias, somente obedeceu aos mais nobres e puros sentimentos... Nem criminoso, nem revolucionário sou. Os tempos são de provação, e eu a elas me subordino pacientemente.
No dia 20 de maio de 1894, às 9h da noite, quando os prisioneiros já tinham sido acomodados, as portas da prisão foram abertas por um grupo de soldados, que chamaram pelo nome de seis presos. Ildefonso, entre eles, achou que se tratava de um embarque para o Rio de Janeiro, a caminho do julgamento. Ilusão que foi desmanchada já durante o percurso de trem para Paranaguá.
Não adiantou implorar, pedir pelos filhos, ou rezar. Todos os companheiros de viagem foram sumariamente fuzilados e tiveram seus corpos rolados despenhadeiro abaixo, no Pico do Diabo.
Tomando conhecimento do extermínio apenas alguns dias depois, os amigos providenciaram o enterro do Barão e dos outros presos alí mesmo, próximo a estrada de ferro Curitiba-Paranaguá. O exame dos corpos contatou que o Barão recebeu dois tiros: um deles na coxa e o segundo nos olhos. Só um ano mais tarde, seus restos mortais puderam ser trazidos para Curitiba e para a história. (V.A)





