Quem foi Madre Paulina
Filha de Antônio Napoleone Visintainer e Anna Pianezzer, Amábile nasceu em 16 de dezembro de 1865 em Vígolo Vattaro, Trento, norte da Itália, a segunda filha do casal, entre 14 irmãos. Como outras meninas pobres da localidade, já aos oito anos Amábile ajudava os pais no trabalho da filanda (fábrica de sedas), atividade comum na região trentina, e também tomava conta da avó doente.
Em 25 de setembro de 1875, a família Napoleone Visintainer imigrou para o Brasil com cinco filhos, entre eles Amábile, então com nove anos, vindo a instalar-se a seis quilômetros de Nova Trento, no bairro de Vígolo. Ali, a família recebeu uma área de terra, onde algum tempo depois, junto com Francesco Nicolodi, construiu uma atafona para moer o milho e descascar o arroz.
Nessa época, Amábile, com 12 anos, fez a primeira comunhão e, tendo seu pedido atendido, aprendeu a ler, como por milagre. A partir de então, entrosou-se na vida comunitária e, juntamente com a amiga Virgínia Rosa Nicolodi, passou a dedicar-se ao ensino do catecismo às crianças e a visitas aos doentes.
Em 1890, o missionário padre Marcello Rocchi transferiu a assistência aos doentes em domicílio a uma espécie de hospital. Dentro dos limites do possível, Amábile e Virgínia assumiram a difícil tarefa, transferindo-se para o casebre, já batizado pelo povo de ''hospitalzinho'' e onde foi recolhida Ângela Lucia Viviani, que sofria de câncer em fase terminal.
Nesse mesmo ano elas fundaram a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. Hoje a ordem concentra a fé de mais de 600 religiosas e se espalha por todos os cantos do Brasil, atingindo também seis países latino americanos e outros três africanos. Madre Paulina adquiriu fama de santidade ainda em vida. Mas foi após sua morte, em 9 de julho de 1942, aos 77 anos, que vários episódios de cura de doentes começaram a ser atribuídos à imigrante italiana.
Provações Em 7 de setembro de 1895, Madre Paulina recebeu os votos religiosos, quando adotou o nome de Madre Paulina do Coração Agonizante de Jesus, sendo nomeada diretora geral das filhas de Maria de Nova Trento.
Em 1903, Madre Paulina foi chamada a São Paulo para assumir a direção de um orfanato para filhos de escravos abandonados, na colina de Ipiranga. Com a mudança, a sede da congregação passou para São Paulo, sob a direção de Madre Paulina. Artimanhas de uma Irmã, sua secretária e assistente, com a ingerência de uma benfeitora do Orfanato, no entanto, foram dizimando a autoridade da fundadora. Por essas circunstâncias, em 29 de agosto de 1909, Madre Paulina foi demitida do cargo. Esse fato foi para ela uma dura prova, com a qual conviveu até a morte, porém com grande humildade e heroísmo.
Designada para trabalhar em Bragança Paulista, junto a um Asilo de Idosos, lá permaneceu até 1918, e apesar da condição de súdita, sempre foi respeitada como ''Veneranda Madre Fundadora''.
Seja na vida de família ou de religiosa, como fundadora, superiora geral e súdita, Madre Paulina foi um exemplo de humildade, dedicação e persistência, em busca da glória de Deus e do bem ao próximo. Diante das adversidades, costumava repetir: ''Não desanimeis nunca, embora venham ventos contrários''.





