Não é a gratificação, de cerca de R$ 200, que tem abalado os músicos, mas sim a possibilidade de precisar trabalhar sem os chefes de naipe nem maestro. ''Qualquer empresa que perca seus chefes fica totalmente desestruturada. E é o que pode acontecer conosco'', exemplifica o músico Jorge Luis Silva.
O chefe de naipe é o responsável pela parte artística de cada grupo de instrumentistas. ''Ele é encarregado pela preparação do naipe, e fica na posição de interpretar os solos. Tem um contato mais direto com o maestro, faz essa ligação entre o maestro e o naipe'', explica Marcello Casagrande, chefe de naipe da percussão.
Já o problema envolvendo o cargo comissionado de maestro é mais complicado. Cinco dos nove maestros que a Osuel já teve eram comissionados, contratados como assessores especiais. Mas, para Janete El Haouli, o assessor especial não tem um salário condizente com o que se paga a um bom regente. Tanto que, na época do maestro Norton Morozovicz, por exemplo, era a Associação dos Amigos da Osuel quem complementava a renda. Já Elena Herrera, cujo contrato terminou em dezembro, foi contratada como prestadora de serviço.
Ter um maestro de carreira, para a Osuel, seria como um time de futebol fazer um contrato de décadas com um mesmo técnico. Como o maestro também é o diretor artístico, a alternância de profissionais é essencial para o próprio desenvolvimento da orquestra.
Para a diretora da Casa de Cultura, a melhor saída seria buscar apoio legal para que se contrate um maestro, mas que ele não seja efetivado como servidor estatutário. ''Temos que ter a liberdade de selecionar um regente periodicamente, através de convite ou outro processo de seleção, e ao mesmo tempo garantir a existência dos cargos de maestro e maestro adjunto. E que isso se resolva definitivamente, para que nunca mais passemos por essa insegurança'', defende. (A.I.)

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