Depois de estudar desde criança na escola pública, a aluna do 3º ano do Ensino Médio Bruna Chaves Benazzi, 17 anos, deciciu reforçar o estudo para o vestibular com um cursinho particular. Autodenominando-se uma boa aluna, ela é da opinião de que quem faz a escola é o aluno. ''A escola pública é boa e cabe o aluno se dedicar. Decidi fazer o cursinho porque o curso que quero (engenharia civil) exige mais das disciplinas exatas, que no meu colégio público não recebiam a atenção necessária dos alunos. Havia muita bagunça na sala. No cursinho, todo mundo fica mais concentrado'', abordou.
Bruna comentou que na época que concluiu o Ensino Fundamental ela e os pais chegaram a conversar sobre a mudança para uma escola particular, o que acabou sendo descartada por questões financeiras. ''Gostaria de ter feito o Ensino Médio na particular, mas sempre estudei em casa e me esforcei bastante.''
Bruna está concorrendo como cotista proveniente da escola pública e acha que é um direito garantido que não deve desperdiçar. ''Não há como negar que há uma diferença de concorrência entre o aluno da pública e da particular. Se não passar, vou fazer cursinho de novo e não exijo dos meus pais que paguem uma instituição particular para mim. Se for o caso, trabalharei para poder pagá-la'', afirmou convicta.
Seu pai, o fotógrafo Laércio Adriano Benazzi, ainda acredita no potencial da escola pública, mas opinou que antes a exigência era maior. Ele estudou na escola pública e na privada e não acredita que tanto uma quanta a outra seja uma premissa para o sucesso profissional. ''Acredito que o que conta é a cobrança familiar e aplicação do aluno'', destacou.
Benazzi também criticou os pais que após pagarem escola particular para os filhos a vida inteira fazem questão que eles concorram nas instituições públicas. ''Acaba sobrando para a classe menos favorecidade, que tem que contar com as cotas raciais e sociais. O ensino particular está acima, principalmente pelo material didático e conteúdo. E, se as regras são essas, por que não aproveitar esse benefício?'', indagou.(A.P.N.)

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