Homem que é homem assiste novela e assume - afinal de contas, os brutos também amam e têm capacidade de se emocionar e, porque não, se identificar com os personagens.
Deixando os sociologismos de lado, é fato que a grande maioria brasileira só conta com a televisão como fonte de entretenimento, o que não exclui a macharada.
''Na minha infância, como era comum em todas as famílias de classe média, a novela foi a atividade mais frequente. Depois, por causa do meu interesse pela comunicação, o acompanhamento também se tornou natural'', afirma o professor de Comunicação Social, Rozinaldo Antonio Miani, 39 anos, que já foi bem mais noveleiro.
''As novelas têm importância como entretenimento não só pela qualidade, como as histórias envolvendo o público pela simplicidade com que abordam os assuntos'', comenta, lembrando a preferência pelos folhetins das 18 horas. Ele assistiu ''O Cravo e a Rosa'', de Valcyr Carrasco, ispirada no clássico ''A Megera Domada'', de William Shakespeare, duas vezes.
Miani acrescenta que novela é a única oportunidade que alguns espectadores têm de entrar em contato com a literatura universal.
Já esse negócio de que novela não é coisa de macho, não é bem assim...''Para algumas pessoas, o homem não se encaixaria muito bem no perfil dos que expõem a sua dimensão afetiva e as emoções'', reconhece o professor, que, no entanto, aposta mesmo é nesse novo homem, que assiste novelas e assume. (F.L.)

mockup