Quem é Você
Josoé de CarvalhoRosauro: Hoje, a música popular não é um fruto da nossa cultura, e sim da mídiaQuem é Você
Nome: Ney Gabriel Rosauro
Idade: 46 anos
Profissão: Compositor e percussionista
A originalidade e a dinâmica como pontos de referência de um trabalho caracterizado por melodias e ritmos contagiantes. Aos 46 anos, o compositor e percussionista carioca Ney Rosauro é dono de um estilo único. Quem assistiu à apresentação do músico como solista da Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP), ontem, no Festival de Música de Londrina, pôde comprovar de perto.
No concerto, Rosauro executou uma composição própria, Raphsody for Solo Percussion. A peça, segundo o percussionista, tem a intenção de mostrar o lado brasileiro da música e também uma faceta singular: É o outro lado da percussão - a percussão mística, meditativa na qual a música está acima do barulho, explica.
Autor de mais de 30 composições, Ney Rosauro busca firmar suas criações em raízes brasileiras. Para isso, utiliza-se muito do folclore nacional. O fato de compor e executar as minhas obras faz parte dessa proposta de tocar músicas com raízes e mostrar que percussão no Brasil não é só escola de samba e axé-music, afirma.
Em cena, Rosauro chega a tocar até 20 instrumentos (às vezes mais) como berimbau, copos de vidro, vibrafone, pratos e tambores, entre outros. Meu trabalho está mais baseado na harmonia e na melodia. Além disso, são instrumentos brasileiros inusitados que aumentam a originalidade da minha proposta, acredita.
O músico e compositor conseguiu uma boa projeção no exterior. Mas no Brasil as apresentações são poucas. O motivo? Pura falta de oportunidade, diz. No segundo semestre, tenho apresentações em oito países. E apenas uma no Brasil, aqui no Festival de Música. O ambiente sinfônico no País não é muito propício, ironiza.
Na opinião de Rosauro, a música popular no Brasil é extremamente rica, mas também está em baixa. Hoje, a música popular não é um fruto da nossa cultura, e sim da mídia. Quem faz sucesso é quem está na televisão. A tevê está pondo na cabeça do povo que a música popular brasileira é a sertaneja ou o rebolado da Carla Perez, critica.
Da mesma forma, o percussionista acredita que a música erudita está perdendo cada vez mais espaço no Brasil por força da mídia. Tenho medo do futuro se essa situação não mudar. O carioca iniciou sua formação na música popular, em 1964. Na década de 70, estudou composição e regência, além de percussão sinfônica. Em seguida, fez cursos de especialização, mestrado na Alemanha e doutorado nos Estados Unidos.
Atualmente, ele é coordenador dos estudos de percussão na Universidade Federal de Santa Maria (RS) e aguarda fechar contrato para transferir-se para a Universidade de Brasília. Ney Rosauro tem quatro produções fonográficas: Marimba Brasileira (89), Rapsódia (93), Grupo de Percussão da UFSM (96) e NR in concert (98). (Jackeline Seglin)





