Sérgio Ferro, o artista que vai merecer uma parede nobilíssima no apartamento funcional do Ministro Rafael Greca, é curitibano, tem 60 anos e mora numa aldeia francesa, Grignan, ocupada por 1.300 moradores. Ali ‘‘os girassóis tornam os dias amarelados e as lavandas perfumam o ar’’, como registrou uma reportagem feita pela Folha2, quando ele veio à cidade para a entrega oficial de um painel instalado no Memorial de Curitiba.
Depois de formar-se em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, em 1962, e de ter feito pós-graduação em Museologia e Evolução Urbana, em 1965, foi professor de Composição e Plástica na Escola de Formação Superior de Desenho, em São Paulo, professor de História da Arte e Estética na FAU e professor de Arquitetura na Universidade de Brasília.
Expôs pela primeira vez em 1963, na Galeria São Luiz, em São Paulo. Nesse mesmo ano levou suas telas para o Teatro de Arena, também em São Paulo. Em 1974 chegou à Grécia, no ano seguinte à França, etc.
O filósofo Gilles Liopovetsky escreveu sobre o brasileiro: ‘‘A pintura de Ferro compõe um hino aos grandes mestres, a Velasquez, Tintoreto, sobretudo a Michelângelo. (...) Somos todos discípulos, as obras só podem ser reminiscências esfumaçadas, variações empobrecidas, anedóticas, kitsh da tradição lírica imortal.’’
Por ter esse gosto pelos clássicos e colocar na tela a solenidade das cores e da luz, é visto com desdém por uma parte da crítica. Ele não está nem aí. ‘‘Entrei por um atalho muito meu e não estou dentro das correntes. A procura da minha pintura, sobretudo no período da maturidade, é tocar as pessoas, falar com elas’’, disse ele para a Folha2.
Sérgio Ferro tem sempre uma agenda repleta de exposições na Europa e na América. No Brasil, por enquanto, não há nada marcado. Segundo seu marchand, Valdir Simões de Assis, só quando a economia voltar aos trilhos poderá pensar em algum evento. (Z.C.L.)

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