Há uma febre de leilões no mercado brasileiro. E não estou falando dos leilões das nossas estatais, sempre com precinhos e confissões camaradas. É um outro tipo de leilão, em que a paixão das pessoas por fetiches de seus ídolos é que funciona como estímulo das vendas.
A mania já é velha no exterior onde leilões de objetos de ídolos vivos, mortos ou muito vivos acontecem sempre. Os lances chegam às vezes a valores altíssimos, mesmo para objetos banais do dia-a-dia da personalidade chamariz dos compradores. Um batom usado da Madonna pode valer muitos dólares. Um vaso (ruim, é claro) que um dia Elizabeth Taylor atirou na cabeça de Richard Burton, conquista uma bufunfa. Um vestido usado uma única vez pela princesa Diana alcança preços de deixar muito costureiro com mais chiliques que o normal.
Nem dá para imaginar a que lances chegaria um certo charuto de Bill Clinton – aquele usado de modo nada ortodoxo na Sala Oval. Nem seria bom para o Brasil. Um leilão desses poderia abalar a bolsa de Nova York.
Os valores locais, ainda que mais modestos, não deixam de impressionar. Uma cueca do ator Thiago Lacerda alcançou o lance de 500 reais no programa do Gugu, no SBT. A apresentadora da MTV, Sabrina, teve um top seu arrematado por R$ 66,00 em um leilão na Internet.
Isso prova que realmente há desejos muito estranhos na face da terra, como esses de rapazes e moças que anseiam pela cueca do Thiago Lacerda ou o top da Sabrina sem que os dois estejam dentro.
Então vamos explorar estes anseios inexplicáveis – alguns também inconfessáveis – em nossa lista particular de coisas que deveriam ser leiloadas um dia desses por uma causa boa.
Jota
A certidão de casamento de Nicéa, ex-Pitta, e Celso, ainda Pitta.
A pasta de Jader Barbalho contra ACM.
A pasta de ACM contra Jader Barbalho.
A fita com o grampo telefônico sobre as privatizações encontrada pelo general Cardoso embaixo de um viaduto em uma noite escura.
Cem miligramas de silicone (não usados) da feiticeira.
O ioiô do cantor Djavan.
As obras incompletas do sociólogo Fernando Henrique Cardoso.
O fusca do Itamar.
O Fiat Elba de Fernando Collor.
Os óculos escuros de P. C. Farias.
O tubo dos comprimidos de Ronaldinho na França.
A parabólica do ex-ministro Ricupero.
O apartamento verde-amarelo de Greca.
Um bilhete de loteria do ‘‘anão do orçamento’’ João Alves.
O porta-bíblias do Sarney.
O livro de visitas do quarto de hospital de Tancredo.
Um paletó do Luxemburgo.
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1 O bipresidente Fernando Henrique Cardoso viu pela televisão o confronto entre traficantes e policiais no Rio de Janeiro e ficou de cabelos em pé. Logo se recompôs, é claro; arrumou o penteado e teve a idéia de juntar os governadores na criação de um plano nacional de combate à violência urbana.
Podem esperar que vêm por aí o logotipo, o slogan e até – quem sabe...– uma garota-propaganda – Luana Piovani? Ana Paula Arósio? Hebe Camargo? – para anunciar o tal plano. O Palácio do Planalto está em fase marqueteira aguda.
2 Mas perguntar não ofende mesmo, então vamos lá: emissoras de televisão de que país FHC anda vendo nos últimos seis anos? Deve ser da Suécia, Suíça, por aí. E com o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação de Governo,
Andrea Matarazzo, cortando as notícias sobre aquele país da América do Sul, o tal de Brazil.
3 Paulo Maluf anda muito preocupado com Antonio Belinati, prefeito de Londrina. Explica-se: é que com a fantástica aparição de Belinati no noticiário nacional com denúncias de corrupção que rivalizam com as do ex-prefeito paulistano, Maluf teme a concorrência. Está certo: já não bastava o Pitta lhe roubando manchetes?
4 A Nau Capitânia, aquela da festa dos ‘‘500 Anos Sei Lá Do Qu꒒ ainda precisa de 250 mil reais para ficar concluída. Apesar de sua construção já ter custado até agora quase quatro milhões de reais, minha opinião é que o governo (sic!) tucano deve soltar esta nota preta para que enfim a nave navegue. Afinal, o Brasil está esperando para ser descoberto!
6 Já estou esperando o novo ministro do Esporte e Turismo – ou será Turismo e Esporte? –, Carlos Melles mostrar para todo o Brasil, em apenas uma tacada, que é muito mais ministro que Rafael Greca. E não é que com apenas 250 mil reais ele pode entregar prontinho uma obra que o outro ministro não conseguiu fazer com quase quatro milhões?
Agh, com idéias como essa ainda acabo pegando uma boca num ministério desses!
Político democrático era aquele. Vivia dizendo para seus subordinados: onde rouba um, roubam vários.
7 Não convidem Narcisa Tamborindeguy, o Louro José e Carlos Heitor Cony para a mesma mesa. É que os dois primeiros querem entrar para a Academia Brasileira de Letras e o Cony só tem um voto.
5 Apontado em matéria da revista Época como responsável pela execração do cantor Simonal como dedo-duro na época da ditadura militar, o cartunista Jaguar jura que não foi ele. Só faltou confessar que tem todos os discos do Simonal. E insinua que quem escreveu contra o cantor em ‘‘O Pasquim’’ foi o cartunista Henfil e Tarso de Castro. Mas o jaguar não é dedo-duro, gente!
E o terceiro segredo de Fátima? A Igreja devia pedir perdão por fazer tanto suspense em torno de uma revelação dessas.
O governador Mario Covas anda fulo com a garotada da Febem paulista. Vai acabar voltando para o governo de São Paulo, onde o trabalho é muito mais fácil.
Perguntar não ofende mesmo: E se a gente apelar para as Nações Unidas para que impeçam o governo (sic!) tucano de incluir a Amazônia em suas negociações no Congresso?

Agora não há mais nenhuma dúvida: ACM não tem mais poder na Rede Globo. A estréia da nova novela das sete comprova. Tivesse ainda mando, ACM jamais tamanha provocação. ‘‘Uga Uga’’?... Oxente, isso já é tripudiar!
Esses escândalos todos não serão em vão, vocês vão ver: nos próximos casos eles vão ser mais cuidadosos para não deixar pistas.

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