Quem, afinal de contas, vai tocar no Brasil?
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 1999
Nelson Sato 
Depois do vem-não-vem que se seguiu à alta do dólar, os produtores de shows acenaram com boas notícias nesta semana, confirmando a presença de atrações gringas em palcos brasileiros.
Mas apesar do alívio de alguns fãs, o elenco de artistas anunciados até agora não inspira euforia. Com exceção do Prodigy e de nomes do circuito alternativo, a escalação está mais para museu de antiguidades do que para um painel sonoro dos anos 90.
ReproduçãoKiss: esticando a turnê do álbum Psycho CircusA começar pela banda americana Kiss, cuja volta com a formação original virou um dos acontecimentos pop mais badalados desta segunda metade da década. Com um show único marcado para o dia 17 de abril, no Sambódromo, em São Paulo, o quarteto de mascarados traz ao País a turnê do álbum de canções inéditas Psycho Circus.
O disco, na verdade, é só um detalhe. Junto com ele, uma avalanche de souvenirs despencou no mercado para promover o retorno de Gene Simmons (baixo e vocal), Paul Stanley (guitarra e vocal), Ace Frehley (guitarra) e Peter Criss (bateria) às paradas. O pacote inclui CDs remasterizados, bonecos, vídeos, revistas de histórias em quadrinhos e até um carro personalizado de 75 mil dólares.
Ainda para os cabeludos, está prevista a vinda de Bruce Dickinson para um show no dia 20 de abril no Olympia, também em São Paulo. A apresentação, apostam alguns, talvez marque o fim da carreira solo do vocalista, que estaria com um pé em sua banda original, o Iron Maiden, retomando o lugar ora ocupado pelo apático Blaze Bailey.
Direto do túnel do tempo, o grupo inglês Deep Purple é outro monstro arqueológico que aterrissa em terras brazucas nesta temporada. A miniturnê passa inclusive por Curitiba, na Forum, onde os veteranos do hard rock desenferrujam suas guitarras no dia 26 de março. Antes, no dia 26 de fevereiro, o mesmo espaço transforma-se em caverna para abrigar o dinossáurico Creedence Clearwater Revisited (ex-Revival), que traz seus velhos hits e dois integrantes do núcleo original: o baterista Doug Clifford e o baixista Stu Cook.
ReproduçãoBad Religion: show em março em CuritibaMenos retrô, mas caindo de maduro com suas quase duas décadas de atividades, o Bad Religion é outra atração programada pela casa. O grupo californiano faz sua apresentação no dia 12 de março, mantendo o prestígio entre a garotada como um dos principais responsáveis pela revitalização do punk nos anos 90. O show ocorre 1 ano e poucos meses depois de incendiar a platéia no festival Close Up Planet.
E é para o Close Up Planet desse ano que o Prodigy volta ao País, cumprindo a tarefa que não pôde realizar na edição passada do festival, quando teve seu show paulistano cancelado por causa de uma falha na estrutura do teto do palco. Aclamada como a banda número 1 do pop eletrônico, Prodigy tirou o som techno do gueto misturando guitarras e batidas pesadas com samples e programações.
Fez clubbers, mauricinhos, hip hopers e roqueiros sacolejarem o esqueleto na pista. Daqui duas semanas, sai o álbum mix de Liam Howlett, um de seus integrantes. O CD, batizado de Prodigy Present the Dirtchamber Sessions Volume 1, vai ter oito sessões separadas e samples de 51 faixas diferentes, extraídas de artistas e grupos como Sex Pistols, Janes Addiction, Beastie Boys, Chemical Brothers, Public Enemy e Barry White.
O show do Prodigy rola no dia 15 de maio, no Sambódromo, em São Paulo. O circuito alternativo, por sua vez, continua privilegiando o rock americano. A banda Seaweed está confirmada para o mês de abril, com uma série de shows pelo região sudeste do País incluindo no roteiro Londrina, Maringá e Curitiba. O Man or Astro-Man deve retornar no segundo semestre, após a espetacular excursão de três meses atrás.
Em fase de contatos, bandas como Sebadoh, Dub Narcotics e Fugazi aguardam datas e fechamentos de contratos. Também em negociação, o projeto Batucada Inglesa anuncia a presença de DJs do selo britânico Wall of Sound, do qual fazem parte os badalados Propellerheads.


