A exemplo dos vinhos, os queijos com Denominação de Origem Protegida (DOP) são cada vez mais valorizados. E neste competitivo mercado dominado por produtos importados, os laticínios brasileiros lutam para conseguir seu lugar ao sol. Considerado Patrimônio Cultural Brasileiro desde 2008, o queijo de Minas agora divide as atenções com o queijo da Serra da Canastra e da Serra do Salitre, que acabam de ser incluídos na Arca do Gosto - catálogo mundial que chama a atenção para produtos de dezenas de países com qualidades gastronômicas especiais.
Apesar do reconhecimento internacional, os queijos mineiros ainda enfrentam grandes desafios dentro do próprio Brasil. "Apenas o queijo da Serra da Canastra tem permissão para circular fora do Estado de Minas Gerais. A restrição em relação aos demais queijos se deve ao fato de todos eles serem produzidos com leite cru, que podem conter bactérias responsáveis pela transmissão da tuberculose animal e da brucelose", explica Vanerli Beloti, pós-doutorada em Qualidade do Queijo e docente da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Ela explica que a distribuição do queijo da Serra da Canastra para outros Estados foi autorizada pelo fato de os produtores comprovarem que o processo de produção estava livre das doenças. "Os demais continuam proibidos porque os casos de tuberculose animal e brucelose em Minas Gerais ainda são grandes", argumenta.
Segundo ela, o fato de ser produzido com leite cru não significa que o queijo contenha bactérias perigosas à saúde. "Na França, onde a doença está erradicada, os queijos com leite cru podem ser consumidos sem medo. E mesmo quando a bactéria está presente, pode acontecer de uma pessoa que esteja acostumada a consumir determinado tipo de queijo se tornar resistente a ela. No entanto essa mesma bactéria ainda pode ser nociva quando ingerida pela primeira vez. Por isso é importante tomar esse tipo de cuidado com a exportação dos queijos mineiros para outros Estados", afirma.
Vanerli afirma que o processo de autorização para circulação nacional e também para a obtenção do DOP depende da organização dos produtores de queijos brasileiros. "É preciso que eles se reúnam em grupos e comprovem a representantes do Ministério da Agricultura que o processo de produção está isento de contaminação. É um procedimento bastante burocrático, mas necessário para que os queijos passem a ter circulação nacional", conclui.
Além de Minas Gerais, o Brasil possui outras regiões famosas pela produção de queijo. Outro representante de peso é o Coalho, produzido no Nordeste brasileiro e que também foi incluído no catálogo da Arca do Gosto. "Apesar do sabor peculiar, dificilmente o Coalho conseguirá obter o DOP, pois para isso teria que haver uma unidade entre todos os produtores, utilizando a mesma raça de gado leiteiro, tipo de pastagem para alimentá-lo e processo de produção. E lá no Nordeste não existe essa uniformidade, garantindo que ao queijo um sabor único e peculiar", explica.
Segundo Neli, essa também é a dificuldade em criar uma queijo tipicamente pé-vermelho. "Aqui no Norte do Paraná existem rebanhos e pastagens diferentes, além do processo de produção também não ser homogêneo", salienta.

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