A França sugere uma infinidade de roteiros apaixonantes e díspares. Mas que tal descobri-la a partir do que lhe é mais peculiar? O roteiro dos queijos segue um amplo trabalho de pesquisa de Kazuko Masui e Tomoko Yamada. A dupla lançou recentemente Queijos Franceses, pela Editora Ediouro.
Em toda a França (são 22 regiões) já foram registrados mais de 500 tipos de queijo de leite de vaca, cabra e ovelha. O queijo está tão presente nas mesas dos franceses, que come-se queijos antes durante e depois das refeições. É um dos mais antigos alimentos manufaturados que se tem notícia.
O guia de queijos revela que há registros da produção do alimento em textos sumérios datados de 3 mil a. C. Entretanto, estima-se que já se conhecia o queijo bem antes, por volta de 10 mil a.C, pois foi nesta época que cabras e ovelhas começaram a ser domesticadas. Os queijos de leite de vaca, só surgiram 300 anos depois.
Um bom queijo depende de um bom fromager (pessoas que fabricam os queijos de forma artesanal). Muitos deles ainda seguem procedimentos milenares, num processo conhecido como affinage - amadurecimento do queijo para melhor conservá-lo. Em Godewaersvelde (Planície de Deus), em Nord-Pas-de-Calais, os melhores fromagers eram os monges. Eles começaram a produzir o Abbaye du Mont des Cats em 1890. Ainda hoje costuma-se servir este queijo no café da manhã.
Na mesma região, pode-se provar o melhor Boule de Lille/Mimolette Française. A origem deste queijo é polêmica, muitos afirmam que seria holandesa e outros juram que ele sempre existiu na França. Apesar disso, o método de fabricação do Boule é o mesmo do queijo holandês Edam. Ele tem poucos furinhos e sua cor varia de cenoura a laranja-amarronzado.
A França tem 33 parques, seis são nacionais e 27 regionais. Em estilos variados, com montanhas, dunas, florestas e, invariavelmente, perfumados pelo aroma da lavanda. Uma destas áreas pode ser visitada em Nord-Pas-de-Calais. Reserve uma tarde inteira, pois vale à pena.
Descendo para o Leste, encontra-se a aldeia de Granges-sur-Vologne, uma região montanhosa em Lorraine. Lá, para quem aprecia sabores picantes, é fabricado o Fromage Fermier. Sua aparência externa não é exatamente um convite à degustação: tem a casca coberta por mofo branco, marrom e azul-claro.
Nas altas planícies de Langres, em Champagne, é produzido artesanalmente um queijo bem típico. É o Langres, em forma de cilindro e uma depressão com 5 mm de profundidade no topo chamada fontaine. Nesta cavidade, manda a tradição, derrama-se champagne ou marc (um aguardente à base de bagaço de uvas destilado) antes de servi-lo. De acordo com o guia, ‘‘sua massa é firme, elástica e derrete na boca, liberando uma mistura de aromas.

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