Queermuseu será aberta neste sábado
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sexta-feira, 17 de agosto de 2018
Reportagem Local 
A exposição "Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira" está pronta para ser vista pelo público. A mostra, fechada e censurada em 10 de setembro do ano passado (no Santander Cultural, em Porto Alegre), será reaberta neste sábado (18), às 11h, nas Cavalariças da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV), no Rio de Janeiro e segue disponível para visitação até o dia 16 de setembro. A entrada é gratuita. Para garantir a segurança da exposição, foi contratada uma empresa que vai fazer específica que se somará à segurança regular do Parque Lage.
A EAV Parque Lage não impedirá o acesso de crianças de qualquer idade à exposição. O aviso abaixo será destacado na entrada da mostra: "AVISO - Esta exposição contém obras de arte com representações de nudez, sexo e simbologia religiosa. Recomendamos levar isso em consideração antes de entrar na sala da exposição. O conteúdo desta exposição não é recomendado para menores de 14 anos desacompanhados dos seus pais ou responsáveis. Associação de Amigos do Parque Lage - AMEAV".
Exposição
A aguardada remontagem contará com 214 obras de 82 artistas reconhecidos nacional e internacionalmente, como Adriana Varejão, Alair Gomes, Alfredo Volpi, Cândido Portinari, Efrain Almeida, Guignard, Leonilson, Lygia Clark, Pedro Américo, Sidney Amaral e Yuri Firmeza. A Queermuseu no Rio contará ainda com apresentações musicais em todos os finais de semana da temporada, como aconteceu nos dois levantes promovidos pela direção da EAV. A programação de abertura da Queermuseu contempla ainda uma edição da Feira Tijuana de Arte Impressa, a primeira feira de livros de artista organizada no Brasil.
"O momento que se aproxima é muito importante para a democracia brasileira, para a fazer uma demonstração muito contundente de que as parcelas mais progressistas da sociedade brasileira não aceitam a censura, não aceitam o cerceamento da liberdade de expressão e da liberdade de escolha, e de que os princípios mais elementares da democracia foram atacados. Entendo a Queermuseu como a exposição que inaugurou, no centro da sociedade brasileira, o mais extenso debate sobre gênero e sexualidade. E a sociedade brasileira virá a essa exposição para reivindicar o seu direito de ter acesso a ela, que lhe foi roubado de maneira inconcebível. Não será a falsa polêmica que trará as pessoas até aqui", acredita curador da Queermuseu Gaudêncio Fidelis.
Em paralelo à mostra, como programa público, a EAV promoverá o Fórum Queermuseu, que trará ao Parque Lage nomes como a procuradora Deborah Duprat, a professora e pesquisadora Ivana Bentes, o Prof. Babalawô Ivanir do Santos, o rabino Nilton Bonder, a ativista Indianere Siqueira, Jean Wyllys, Sakamoto, entre outros para promover discussões em torno das manifestações culturais periféricas, das diversas identidades de gênero e orientações sexuais pretendem reforçar o movimento contra a censura e a intolerância, além de reconhecer a pluralidade artística brasileira. A curadoria e coordenação do fórum estão a cargo de Ulisses Carrilho, curador da EAV Parque Lage.
As mesas públicas devem acontecer sempre às terças, quintas e sábados, durante toda a temporada da exposição, que seguirá em cartaz até 16 de setembro de 2018. Entre os temas já pautados, estão: "a judicialização da arte", "crenças e manifestações religiosas', "o caso Queermuseu: entre a liberdade e a censura", "arte e política", "teoria queer" e "fake news". Se somará à plataforma o Núcleo de Ação Educativa - também curado por Carrilho - pensado a partir de práticas e políticas queer, com o intuito de adensar os debates levantados pela comunidade LGBTI+ ao longo da exposição.

Histórico
A "diferença" é um dos fundamentos do queer (termo de origem pejorativa que teve seu significado transformado nos anos 1980 na luta por direitos civis e movimentos LGBTI+). Desde então, queer passou a designar a diversidade e o direito a uma existência fora da norma. "Queermuseu: cartografias da diferença na arte brasileira" explora a expressão e identidade de gênero, a diversidade e a diferença na arte brasileira por meio de um conjunto de obras que percorrem um arco histórico de meados do século XX até a atualidade.
Em sua primeira apresentação realizada no espaço Santander Cultural, em Porto Alegre, a exposição sofreu uma campanha difamatória em redes sociais de grupos como o Movimento Brasil Livre (MBL), na qual seus participantes afirmavam que a exposição fazia apologia à pedofilia, pornografia e à zoofilia, além de desrespeito à figura religiosa. Em função disso, ameaçaram boicotar o Banco Santander, que cancelou a exposição. Todas as acusações foram desmentidas pelo Ministério Público Federal, que se manifestou afirmando não haver crime de qualquer espécie, tendo recomendado a imediata reabertura da exposição, o que não ocorreu.
A exposição seria, então, realizada no Rio de Janeiro, pelo Museu de Arte do Rio, porém foi censurada por Marcelo Crivella, prefeito da cidade, que declarou em um vídeo que a exposição só aconteceria "no fundo do mar". Queermuseu se propunha a ser um museu provisório, de caráter metafórico, cujo objetivo seria propiciar um campo de investigação sobre o caráter patriarcal e heteronormativo do museu como instituição. Segundo o curador da mostra, Gaudêncio Fidelis, "é uma exposição fundada na democracia e na visão de um processo de inclusão".

Serviço:
Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira
Quando: Abertura - Sábado (18), às 11h. Segue até 16 de setembro.
Horários de visitação: segunda-feira a sexta-feira, das 12h às 20h. Sábado, domingo e feriado, das 10h às 17h
Onde: Escola de Artes Visuais do Parque Lage/ Rio de Janeiro (rua Jardim Botânico, 414)
Quanto: Gratuito
Mais informações : eavparquelage.rj.gov.br/programacao-queer/


