O Norte do Estado reserva poucas opções de turismo ecológico. Com exceção dos parques estaduais como Mata dos Godoy, em Londrina, e Mata São Francisco, em Cornélio Procópio, a maioria dos belos recantos naturais da região estão em mãos de particulares que nem sempre permitem acesso. Isto, porém, não acontece na Ilha do Baiano, uma ilha fluvial particular, localizada no Rio Tibagi, em Jataizinho (21 km a leste de Londrina). Uma ótima opção para quem procura um contato direto com a natureza, seja para passeios curtos ou uma estada mais prolongada.
A Ilha do Baiano, com 22 mil metros quadrados, foi aberta ao público há apenas dois anos, quando a propriedade passou para as mãos de Edson Borges Dias, o Baiano, 39 anos. Antigo caseiro da ilha, na qual trabalhou desde 1976, Baiano a recebeu a título de indenização trabalhista. Os antigos proprietários, um grupo de 40 empresários londrinenses, reservavam o local apenas para seu lazer. Mas Baiano mudou isto. ‘‘Eu vejo a ilha como um presente que eles (os antigos proprietários) me deram. Aqui eu moro e tiro o sustento da minha família’’, explica.
Tudo é muito simples e rústico, mas a simpatia e boa vontade dos donos compensam qualquer desconfortoDesde que assumiu a ilha, Baiano vem investindo no turismo como opção de renda. Sem fazer muito alarde, com propaganda apenas no boca-a-boca, a ilha está ficando conhecida na região e até em outros estados. ‘‘Vem um conhecido passar o dia e acaba voltando e trazendo outros amigos. Outro dia, vieram 30 pessoas da cidade de São Paulo passar o final de semana’’, conta.
Com cerca de 500 metros de comprimento e 80 metros no ponto mais largo, a ilha conserva a mata nativa original. Ali há apenas duas construções de alvenaria: o bar/restaurante junto à casa da família e uma casa com quatros quartos com banheiro e banheiros coletivos, que Baiano está reformando para receber hóspedes. Os quartos, aliás, mesmo incompletos, já estão reservados para a turma de São Paulo passar o Carnaval. Além disto há uma área coberta para churrasqueiras e vários quiosques e churrasqueiras espalhadas por toda a ilha. Não faltam água encanada, energia elétrica e espaço para camping.
Tudo é muito simples e rústico, mas a simpatia e boa vontade de Baiano e sua família - incluindo os quatro filhos que também trabalham no local - compensam qualquer desconforto. A principal atração do local é a pesca, um verdadeiro paraíso para os pescadores. Mas isto só no período permitido, de março até outubro. De novembro a fevereiro, época da piracema, Baiano procura seguir as orientações do Instituto Ambiental do Paraná e Polícia Florestal para proteger a piracema.
Isto impede, porém, que se passe dias agradáveis no local. Lá, é possível acampar, armar redes de descanso e tomar deliciosos banhos no Tibagi. ‘‘Quando as águas estão baixas, dá para ir a pé para a margem do rio’’, conta. E não é preciso se preocupar com nada, nem com as refeições: a esposa de Baiano, Criséli, prepara uma deliciosa comida caseira. A R$ 4,00 por pessoa, é servido arroz, feijão, macarrão, costelinha de porco, peixe frito e frango, além de salada. Tudo à vontade. Quem quiser passar apenas o dia e fazer um churrasco, só precisa levar a carne. O restante pode ser adquirido ali mesmo. Quer quiser acampar, paga R$ 5,00 por barraca, por dia.
Edson Dias, o Baiano: ‘‘Quando as águas estão baixas, dá para ir a pé para a margem do rio’’No final de fevereiro, Baiano começa a fazer a ‘‘ceva’’ (jogar comida em pontos do rio, para atrair peixes), em todo o perímetro da ilha e, em alguns pontos, subindo e descendo o rio. Quando a pesca é liberada, alguns destes pontos são disputadíssimos pelos mais aficcionados pela pesca. ‘‘O pessoal faz até reserva’’, brinca. Alguns destes pontos podem ficar até a uma distância de 1.500 metros da ilha. Mas não há problemas. Baiano leva os pescadores de barco e os busca no horário combinado. Se quiserem, leva até o almoço. Nunca esqueceu ninguém, garante. ‘‘Tenho tudo anotadinho, o horário de cada um’’, afirma.
Baiano luta com dificuldades para investir em melhorias na ilha. Mas sonho é que não lhe falta. Quer melhorar cada vez mais os serviços oferecidos. ‘‘Estou pensando em fazer passeios de barco, subindo o rio até as corredeiras. Um passeio de 40 minutos, a R$ 3,00 por pessoa, é legal, não é?’. E como.


TOME NOTAfotos: Mario CesarA ilhaCom cerca de 500 metros de comprimento e 80 metros no ponto mais largo, a ilha conserva a mata nativa originalTelma Elorza

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