Que princesa caridosa!!
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terça-feira, 24 de junho de 1997
Guto Barra Agência Estado 
Arquivo FolhaLady Di: desfazendo-se do passado glamouroso para se firmar como mulher independenteParte do jet-set internacional se mobiliza hoje, em Nova York, para o leilão Dresses, dos vestidos da princesa Diana, na Christies, para arrecadar fundos para instituições que tratam pacientes de aids e câncer. Mais do que reunir socialites em torno de meses de eventos preparatórios, a venda das 79 peças de roupas de Diana é a conclusão de sua mais profunda mudança de fase.
Ao negociar os vestidos da época em que era casada com o príncipe Charles, ela quer se firmar como uma mulher independente e concentrada em seu trabalho de caridade. A Diana do final do milênio diz que não precisa mais se vestir com tanta pompa, o que é um alívio para as editoras de moda e tristeza para os tablóides que se dedicavam a destruir seus modelos.
A maioria dos vestidos reunidos no leilão foi feita para ocasiões oficiais, encomendados para estilistas como Catherine Walker, Victor Edelstein e Zandra Rhodes. O conjunto - exposto inicialmente na casa de leilões de Londres e depois em Nova York - revela bastante sobre a personalidade de Diana e lança a dúvida sobre quem deve comprá-los hoje à noite. Temos recebidos reservas de compradores particulares, empresários que fazem filantropia e pretendem doar a algum museu e profissionais da moda, diz Meredith Etherington-Smith, diretora de marketing da Christies
Há rumores de que a drag queen RuPaul está interessada em arrematar um dos lotes, tendo que disputar com cerca de 800 pessoas e desembolsar um lance mínimo de US$ 5 mil. De acordo com Meredith, a peça que deve ganhar mais atenção é um vestido com casaco curto bordado, de Catherine Walker, com o qual ela aparece na capa do catálogo. Foi o mais difícil para ela se desfazer, Diana colocou e tirou este conjunto do leilão várias vezes, diz.
Se a curiosidade em torno das roupas usadas em eventos da família real inglesa é indiscutível, o estilo da maioria dos vestidos mostra Diana inocentemente disponível para qualquer experimentação dentro do convencional universo da estilista Catherine Walker.
Criando desde um tomara-que-caia em chiffon de seda fúcsia com faixa roxa, a um tubinho de crepe listrado com gola canoa, passando por longos com saia de tafetá e boleros bordados, a estilista tentou de tudo um pouco. Alguns deles têm um delicado trabalho de bordados ou sobreposição de rendas, mas deixam muito a desejar em termos de forma.
Anorexia e glamourOs vestidos mais antigos quase não trazem decotes e pouco revelam do corpo da princesa, que foi sofrendo modificações durante os anos devido a seus problemas de anorexia e, mais tarde, como resultado de suas aulas de ginástica. No início dos anos 90, ela passou a ousar um pouco mais, mostrando partes das costas, colo e ombros com mais frequência.
Entre as peças mais discretas e menos marcadas pelos excessos dos anos 80 estão os vestidos de coquetel, como um preto de crepe de seda plissada, criado por Christina Stambolian para um jantar oferecido pela revista Vanity Fair em Londres, e um cinza de seda desenhado por Catherine Walker que a princesa vestiu em 1995.
Mas se Walker foi responsável por inúmeros momentos duvidosos, outros estilistas também aproveitaram a rara oportunidade de vestir alguém da família real para dar asas à imaginação. O pior deles é Emanuel, que fez um vestido de baile de tule azul com bordados e lacinhos cor-de-rosa que parece enfeite de quarto de criança. Ele foi o responsável também por um vestido bege cheio de aplicações e bordados dourados, com abas geométricas, quase carnavalesco.
O estilista Jacques Azagury também não economizou na criatividade ao fazer um vestido tipo bailarina, com saia de várias camadas de organza azul, para a princesa. O top de veludo traz várias estrelas e flores bordadas em um fundo de strass.
Já Bruce Oldfield acertou um pouco mais ao criar um dramático, mas contido, longo de veludo preto com decote em V para a estréia de Les Misérables em Londres em 1985. Ele mostra que, mesmo em uma época de ostentação e luxo, bastava um pouco de boa vontade para vestir Diana com sofisticação. A princesa também aparece bem com um longo de veludo azul de silhueta ajustada que deixou seus ombros e colo à mostra em um baile na Casa Branca. O vestido de Victor Edelstein rendeu a ela a chance de dançar com o ator John Travolta em um jantar com Ronald e Nancy Reagan.
A peça mais recente que está à venda é, indiscutivelmente, a prova de que Diana, longe dos compromissos da família real e livre para explorar o trabalho de estilistas não-ingleses, tem bom potencial fashion. Depois de passar a usar vestidos de marcas como Christian Dior e Versace, a princesa encomendou a Catherine Walker um tubinho de crepe de seda azul marinho para comparecer à cerimônia do Council of Fashion Designers of America, no ano passado. A simplicidade da peça, acompanhada por um acertado cabelo mais curto e penteado para trás, mostram Diana preparada para uma fase mais conectada com as tendências internacionais do mundo da moda.
Para o promover o leilão, ela aparece na edição de julho da revista norte-americana Vanity Fair, fotografada por Mario Testino. Em suas melhores imagens já feitas, Diana parece ter superado as amarguras de seu divórcio e pronta para usar sua influência internacional para causas sociais em diversos países do mundo. É por isso que resolvemos fazer o leilão em Nova York e não em Londres, explica Meredith. A fama internacional da princesa está cada vez maior. É impossível não creditar o sucesso à evolução de estilo que ela viveu nos últimos anos. Que levem as roupas usadas.


