Estabelecer uma ligação com os jovens costuma ser difícil em qualquer programa de tevê. Mesmo para aqueles que já carregam anos de experiência. "Malhação" chega à "maioridade" em 2013, quando completa seu 18º aniversário. Mas, mesmo assim, a maior parte de seu público ainda é de donas de casa e mães. Talvez por isso sejam tão recorrente nas tramas infantojuvenis problemas que, muitas vezes, parecem adultos demais para seus personagens. E também mocinhos com vida de "gente grande", que moram sozinhos, têm emprego e até habilitação para dirigir carros e pilotar motos.
Protagonista substituto nessa nova fase – depois do afastamento de Guilherme Prates, que vivia o cobiçado Dinho –, Guilherme Leicam vem segurando bem o posto. Tem a beleza que combina com a atual posição e, depois do êxito em "Tempos Modernos" e "Fina Estampa", já acumula experiência suficiente para se sentir seguro ali. Mas, justiça seja feita, Guilherme Prates não fez feio. O personagem, sim, foi apresentado e conduzido pelas autoras de maneira atípica, com atitudes que, desde o início, poderiam causar estranheza. Como, por exemplo, se envolver com duas melhores amigas, abalando essa relação. Além de Leicam, outro reforço chega com capacidade de atrair a atenção de telespectadores mais jovens. Pedro Cassiano já é um rosto conhecido da "garotada" por ter interpretado o malvado Binho de "Rebelde", na Record. Agora, além de voltar a uma história adolescente, cria certo "déjà vu" ao desempenhar a mesma função de antes: atrapalhar a vida do casal principal.
Mas uma coisa que surpreende nessa "Malhação" é que, com tão poucos personagens, a trama consegue passar pelas mesmas inconstâncias de uma novela maior. Como, por exemplo, ter seus protagonistas enfraquecidos por núcleos paralelos. Alice Wegmann, que vive a charmosa Lia, é boa atriz e tem carisma, assim como Guilherme Leicam. Mas basta Rodrigo Simas e Juliana Paiva entrarem em cena – principalmente juntos – para que tudo ao redor desapareça. Os dois são rostos mais conhecidos da tevê, vindos de trabalhos bem-sucedidos em outros horários. E mostram um entrosamento muito bom nos encontros e desencontros de Bruno e Fatinha. A menina, que no começo era mostrada como "atirada" demais, agora já transparece várias características dignas de uma mocinha menos careta e que combinam mais com o universo jovem. O que pode significar que, talvez, a solução para uma possível rejeição de mocinho poderia ser mais fácil do que a saída escolhida.

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