Hoje, caros telespectadores, não terá para ninguém: o dia será de Hebe. E só dela. Primeiro, porque, há exatos 70 anos ela nascia, ‘‘já cantora e apresentadora’’. Segundo, porque 8 de março é Dia da Mulher e... quem é mais mulher que Hebe na televisão brasileira? A data dupla será comemorada no próprio programa, recheado de mulheres que aconteceram na mídia de alguma forma. Carla Camuratti, Adriane Galisteu, Ângela Maria, Tereza Collor, Zizi Possi, Carla Perez, Eliana e Luíza Brunet estão, entre muitas outras, na lista.
Lélia Abrahmo, se depender de Hebe, também será uma das estrelas da noite. ‘‘Não me acho a mulher mais importante da tevê, nem sei o que dizer a respeito’’, diz a apresentadora, com descabida humildade, como se não soubesse que é um ícone desse veículo de comunicação. ‘‘Ícone? Ha, ha, ha, eu sou ícone!’’, diz, em meio a gargalhadas, na sua mansão do Morumbi, com frescor de começo de carreira. ‘‘Mas é exatamente assim que me sinto, como se estivesse começando. Parece que acabei de ouvir que ‘essa artistinha tem futuro.’’’
A história de Hebe na tevê coincide com a história da própria televisão. Estreante em pleno 18 de setembro de 1950, data em que a televisão foi ao ar no Brasil pela primeira vez, nunca existiu telinha sem ela. Perambulou por emissoras: Tupi, Record, Bandeirantes (onde ficou 8 anos) e, finalmente, foi para o SBT, em 86, onde está até hoje e deve ficar, no mínimo, até dezembro de 2001, quando termina seu contrato.
Impossível resumir mais de 50 anos de carreira, mas Hebe tem, na ponta da língua, momentos que julga inesquecíveis. ‘‘Nunca esquecerei do show que fiz em Caxias, no Rio Grande do Sul, há muitos anos, quando Elis Regina estava iniciando como cantora. Eu estava com um vestido Christian Dior rosa pálido. Num certo momento da noite eu dei uma volta olímpica em torno da pista agradecendo o público, que me aplaudia. Foi uma atitude espontânea que acabou virando solenidade’’, conta Hebe, emocionada.
Hebe sempre fez questão de representar a voz do povo. ‘‘Eu sei exatamente o que as pessoas querem dizer, assistir e ouvir.’’ Para retomar polêmicas palavras da apresentadora, nem é preciso ir longe no tempo. Recentemente, Hebe literalmente detonou a Igreja Católica, com um discurso ferrenho. O motivo: a presença de Padre Marcelo Rossi em seu programa foi proibida pela Igreja porque Suzana Alves (a Tiazinha) também estaria participando.
Que a loira-símbolo transpira jovialidade ninguém tem dúvida. Quando fala, não pára, mexe as mãos, joga os cabelos, anda de um lado para o outro, dá risadas deliciosamente escandalosas.
Mas o incrível é ela estar a todo vapor, à beira de completar 70 anos de idade, sem muito tempo para se cuidar. ‘‘Nos finais de semana eu abuso. Como um pouco a mais, tomo umas margueritas, meu drink predileto. Ou então uma vodkinha pura, ‘cowboy’ mesmo. Aí chega na segunda-feira eu como só verduras, sopinha da Adriane Galisteu, essas coisas...’’.
As plásticas que faz, não esconde. No dia 4 de fevereiro fez mais uma, para esticar um pouco algumas partes do rosto. ‘‘Conto para todo mundo e acabo estimulando as telespectadoras a fazer, mostrando: olha só que pescoço lindo!’’, diz, exibindo a mudança.
Apesar de estar satisfeita com seu programa no SBT, se sente mal com o jornalismo da emissora. Na entrevista coletiva que concedeu, no ano passado, para lançar o CD Pra Você, Hebe prometeu ‘‘puxar a orelha de Silvio Santos para ele reestruturar o telejornalismo no SBT’’.
Dito e feito. A apresentadora até falou para o patrão contratar o jornalista Paulo Henrique Amorim, pedido que, por enquanto, ainda não foi atendido. ‘‘O SBT, como uma emissora popular, deveria informar mais. Eu me sinto mal com essa situação, parece até que a gente é alienado’’, desabafa a loira.
Para comprovar que está em pique de início, Hebe traz uma novidade: quer sair numa escola de samba no ano que vem. ‘‘Depois que assisti ao desfile das campeãs, descobri que tem tudo a ver comigo’’, afirma, empolgada. E já recebeu alguns convites, como da Tradição. ‘‘Não quero ser homenageada. Quero sambar no meio de todo mundo.’’ E, se depender dela, de maiô de paetê, com pernas de fora.

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