Que freirinhas são essas?
QUE FREIRINHAS SÃO ESSAS?
Noviças Rebeldes, com elenco masculino, é cartaz no Teatro Fernanda Montenegro
Zeca Corrêa Leite
Santa canja estragada! Não fosse a comida servida no convento e 52 freiras não teriam morrido, 48 devidamente enterradas e quatro colocadas em câmaras frigoríficas, porque a madre superiora achou de comprar um videocassete com o dinheiro das exéquias. Humor negro? Nada disso - é apenas uma síntese do musical Noviças Rebeldes, em cartaz até domingo em Curitiba.
A peça estreou há três anos em Salvador, ficou um ano em cartaz em São Paulo, foi de Sorocaba a Jundiaí, andou por Nova York (presente numa das apresentações o casal Tarcísio Meira-Glória Menezes). Que tanta graça existe no texto de um ex-seminarista americano, Dan Goggin, para todo este sucesso? Ora, toda comicidade do absurdo, sendo que no caso brasileiro mistura-se ao humor do texto o histrionismo da Companhia Baiana de Patifaria, formada pelos atores Lelo Filho, Wilson de Santos, Fernando Marinho, Beto Mettig e Diogo Lopes Filho.
Este é o único elenco masculino que se tem conhecimento, em todo o mundo, a interpretar as religiosas. Aliás, esta peça veio a Curitiba anos atrás com elenco feminino, sob a direção de Wolf Maia. É ele quem assina a direção desta remontagem. Se a platéia riu da vez anterior, agora ri muito mais, pelo sucesso que os baianos conquistam por onde passam.
Desde sua estréia num obscuro teatro nova-iorquino há 13 anos, Noviças Rebeldes já foi traduzida para 26 idiomas, apresentada em mais de 50 países e com mais de cinco mil montagens. Mas o molho dos baianos agradou sobremaneira o autor Dan Goggin, que os viu em São Paulo, voltou aos Estados Unidos e arranjou o teatro Saint Clement, em Mannhatan, onde se apresentaram. Para evitar gastos com hotel, hospedou a trupe em sua casa.
Pois bem, voltando ao nó da questão as cinco freirinhas estão com um videocassete, quatro irmãs mortas e nenhum tostão para dar fim à série de enterros. Elas então saem à procura do que fazer na tentativa de levantar algum. Inventam um show onde cantam e dançam, e malandramente colocam o Brasil na berlinda.
Divertindo-se e divertindo a platéia, o grupo apresenta um espetáculo de muito riso, nonsense e ingenuidade. Palavras da crítica que assistiu à montagem. Mesmo Bárbara Heliodora quedou-se aos moços: Noviças Rebeldes, versão baiana, é tão contagiante quanto um trio elétrico. O The New York Times comentou: Um dos acontecimentos da temporada. Ver para crer, ou para rir.
Noviças Rebeldes - de Dan Goggin, direção de Wolf Maia, com a Cia. Baiana de Patifaria. Cinco freiras sem dinheiro fazem show para enterrar quatro religiosas. De hoje a sábado, às 21h, e domingo às 19h, no Teatro Fernanda Montenegro. Ingressos: R$ 25,00.





