Quem foi no ano passado, não esquece - e, provavelmente, estará prestigiando a segunda edição do ''Festival de Blues de Londrina'', que começa hoje e prossegue até sábado com uma programação de fôlego incluindo duas atrações internacionais.
As bandas Mister Jack e Irmandade do Blues fazem os shows de abertura nesta quarta-feira. Amanhã será a vez do Acústico Blues Trio e do pianista, cantor e gaitista norte-americano Donny Nichilo. Na sexta sobem ao palco a banda curitibana Crackerjack e os gaúchos Fernando Noronha & Black Soul.
Fechando o festival, a cantora Deitra Farr, de Chicago (EUA), faz apresentação no sábado em companhia dos curitibanos da Decio Caetano Blues Band. Todos os shows ocorrem no bar Valentino, sempre a partir de 21 horas. ''Escolhemos os nomes a dedo'', assinala o músico Kiko Jozzolino, organizador do festival.
''Os dois artistas internacionais são respeitados no mundo inteiro. O Donny Nichilo tem 40 anos de carreira, já tocou ao lado de Carlos Santana e Ron Wood (Rolling Stones), além de ter participado da lendária banda de Buddy Guy. A Deitra Farr é uma das maiores cantoras vivas do blues, tratada como 'diva' pela imprensa especializada'', diz.
A exemplo da primeira edição, o festival foi viabilizado mais uma vez com patrocínio privado, sem recursos públicos. ''Sentimos orgulho disso. Não dependemos da Lei Rouanet, como outros festivais de porte. As empresas locais acreditam em nosso projeto, na cultura e no potencial do marketing cultural'', salienta.
Jozzolino se defende de quem tem criticado o valor cobrado pelos ingressos, que estão à venda a R$ 50 (1º lote), R$ 80 (2º lote) e R$ 100 (na hora). ''Dizem que o festival é elitizado, que o preço dos ingressos está caro. Não concordo. O valor corresponde ao nível das atrações. As pessoas se esquecem que temos de pagar os custos da viagem, a hospedagem, o hotel, a iluminação e a sonorização. Para fazer um evento de qualidade, você tem de pagar um preço equivalente'', explica.
Involutariamente, o festival foi transformado em tributo a Celso Blues Boy, pioneiro do blues no Brasil e que morreu na última segunda-feira, vítima de câncer na garganta. ''Tentamos trazê-lo. Não cheguei a falar diretamente com ele, mas fiz contato com seu empresário, que inviabilizou a negociação ao exigir um cachê fora dos padrões'', conta Jozzolino.
Ele lembra que dois integrantes da banda curitibana CrackerJack (Cláudio e Gerson), atração de sexta-feira, tocaram com Celso Blues Boy. Os músicos do Mister Jack também já subiram ao palco para acompanhar o autor do hit ''Aumenta que isso é Rock'n'Roll''. ''Fomos banda de apoio nos shows que o Celso fez em Curitiba entre os anos 2000 e 2001. Além disso, ele tocou guitarra numa faixa de nosso último disco. Obviamente, faremos uma homenagem em nosso show'', anuncia o gaitista Benê Jr.
Mister Jack já esteve algumas vezes em Londrina tocando em eventos fechados. Será a primeira vez que se apresenta para o grande público, embora o próprio gaitista tenha feito uma participação especial há dois meses na cidade num show do Acústico Blues Trio, banda de Jozzolino. Com 17 anos de trajetória, o grupo tem dois álbuns lançados e um terceiro em fase de gravação.
''Nesse show vamos tocar algumas músicas desse novo disco e versões maquiavélicas para canções de Belchior, Edvaldo Santana e até para o clássico 'Bolero' do compositor Maurice Ravel. A plateia vai ficar com os ouvidos em pé'', avisa Benê Jr, que nasceu em Arapongas (PR). Os paulistas do Irmandade do Blues, por sua vez, trazem um repertório recheado de faixas de seus três álbuns (''Veneno'', ''Good Fellings'' e ''Irmandade do Blues ao Vivo'') incluindo versões para clássicos de Janis Joplin, Led Zeppelin e Ray Charles.
O disco ao vivo, lançado em 2010 também em formato DVD, reúne composições gravadas nos dois trabalhos anteriores e contou com participações especiais de Andréas Kisser e André Matos. O Irmandade, assim como o Mister Jack, traz a levada do blues com pegada de rock.

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