São Paulo, 09 (AE) - Vários aspectos da terceira idade são abordados no 16.º programa da sessão Curta às Seis, que entra em cartaz amanhã (10), no Espaço Unibanco de Cinema. Do abandono à sexualidade, boa parte dos problemas enfrentados pelos idosos hoje em dia aparece nas histórias dos quatro filmes selecionados. Apenas um foi feito fora de São Paulo, "Litania da Velha", de Frederico Cruz, produzido no Maranhão. Os outros três são "Ruído de Passos", de Denise Gonçalves; "Bolo", de José Roberto Torero, e "A Idade do Coração", de Tamy Marrachine.
"Litania da Velha", que abre programa, mostra o último passeio de uma velha mendiga pela parte antiga de São Luiz, capital do Maranhão. A idéia é fazer uma livre associação entre o abandono da mulher com o descaso pela parte histórica da cidade, carcomida pelo tempo. Parece esquemático e um tanto didático, mas não é bem assim. O diretor Frederico Cruz lança mão da montagem para ratificar o conceito.
"Ruído de Passos" aborda a sexualidade na velhice. Acompanha a dificuldade de uma mulher de 80 anos em dar vazão aos seus desejos. Com vários nus e uma cena especialmente forte da personagem se acariciando sob os cobertores, o filme causa um certo impacto pela ousadia com que revela este aspecto da idade mais avançada.
A bailarina francesa Renée Gumiel incorpora a personagem e usa sua larga experiência com a dança e o domínio dos movimentos corporais para fazer a personagem. A iniciante Denise Gonçalves tira proveito da capacidade da artista, mas não chega a transcender o simples fato de mostrar o nu de uma mulher octogenária.
"Bolo", de José Roberto Torero, fala sobre o desgaste de uma convivência longa. No dia das bodas de ouro, um casal de idosos (Vanda Lacerda e Jofre Soares) comemora a data solitário e sob um clima de guerra. Enquanto a mulher prepara um bolo, o marido termina um entalhe. Toda a ação é marcada por um diálogo crescente em que os insultos se revezam e aumentam de intensidade, até o final surpreendente.
Esquemático e um tanto formal, o filme tira sua força justamente dos diálogos fortes e inteligentes. Como parte da antologia "Felicidade É...", "Bolo" ficava um tanto diluído e perdido. Visto agora no contexto da terceira idade, ganha uma outra dimensão.
Mais divertido e para cima, "A Idade do Coração", de Tamy Marrachine, mostra como a idade avançada pode ser libertadora, no sentido de tornar as pessoas menos apegadas às convenções. Conta a história de uma mulher (Eva Todor) que lança mão de um recurso extremo para ajudar um asilo em dificuldades financeiras. Com a arma de brinquedo do netinho, ela assalta uma joalheria e arrecada o dinheiro necessário. A ação dá certo. Mas sua vizinha (Consuelo Leandro, em sua última participação no cinema) acaba sendo apontada como suspeita. Serviço - Curta o Idoso. Diariamente, às 18 horas. Grátis. Espaço Unibanco 4. Rua Augusta, 1.470, tel. 289-4792

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