Neli Bittencourt/Arquivo FolhaOscar Niemayer: ‘‘Não tem sentido, eu sou desenhista’’Com a morte do monge beneditino e acadêmico dom Marcos Barbosa, na última quarta-feira, integrantes da ABL (Academia Brasileira de Letras) já articulam o nome do padre Fernando Bastos Ávila para ocupar sua vaga. Ávila é ex-reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
Para a vaga deixada por Darcy Ribeiro, os acadêmicos já têm dois prováveis nomes: o do economista Celso Furtado e o do arquiteto Oscar Niemeyer.
Furtado, segundo um influente imortal que pede para não ser identificado, é um nome que o próprio Ribeiro já pensou em levar para a ABL. Niemeyer, um amigo de longa data do antropólogo, também agradaria. Mas, se Niemeyer aceitasse, ainda segundo esse imortal, acabaria eleito por unanimidade.
O arquiteto diz que a lembrança de seu nome é ‘‘simpática’’, mas que não aceitaria. ‘‘Não tem sentido, eu sou desenhista’’, afirmou.
Mesmo assim, acadêmicos vão tentar convencer o arquiteto, por entender que a ABL, assim como a academia francesa, é formada não só por pessoas do mundo literário, mas, pelo que consideram personalidades da vida cultural do País.
Arnaldo Alves/Arquivo FolhaCelso Furtado: possível sucessor de Darcy Ribeiro
No ano de seu centenário, a ABL reabre portas, após recesso, no dia 20, com uma situação peculiar: há quatro vagas a serem ocupadas, com as mortes de Darcy Ribeiro, do romancista Mário Palmério, do escritor Antonio Callado e do monge Marcos Barbosa.
A eleição para a vaga de Palmério já está marcada: dia 25 de março. Há três candidatos inscritos: o filósofo Tarcísio Padilha, o filólogo Leodegário Amarante Azevedo e a poeta Olga Savary, todos do Rio de Janeiro. A eleição de Padilha, um pensador e educador católico, membro da Sociedade Brasileira dos Filósofos Católicos, é considerada certa por alguns acadêmicos. Mas Azevedo também tem boa cotação.
Outras vagas A eleição de Niemeyer ou Furtado não alteraria muito o perfil ideológico mais à esquerda representado pelo imortal Darcy Ribeiro. Mas, para a vaga do socialista Callado, é possível a eleição de um candidato mais ao centro.
De perfil liberal, o ex-diplomata, romancista e crítico literário Antônio Olinto, que se candidata pela terceira vez, é visto com bons olhos por muitos acadêmicos, sendo hoje considerado o favorito. Com menos chance, deverá disputar a vaga o poeta e pintor José Paulo Moreira da Fonseca.
Como o voto dos acadêmicos é secreto, não é costume a revelação dos preferidos. Mas o ex-presidente da ABL, Josué Montello, dá a entender que Olinto deverá mesmo ser eleito para a vaga de Callado. ‘‘Os dois têm representatividade cultural. Mas o Olinto tem uma obra mais extensa, traduzida em várias línguas. Ele tem toda uma vida dedicada às letras’’, elogia Montello.

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