Às vezes parece que há tantas séries importadas de temática médica na tevê quanto doentes nas filas dos hospitais públicos do País.''House'', ''Plantão Médico'', ''Doutor Hollywood'' e ''Grey's Anatomy'' são alguns dos exemplos mais recentes que fazem sucesso em emissoras abertas e canais fechados. Na Record, ''House'' mantém uma média de 8 pontos de audiência, mas já chegou a alcançar a liderança em algumas semanas, com 10 pontos. O ator Hugh Laurie dá vida ao protagonista da história, um médico bronco e de humor ácido que é o maior responsável pelo sucesso do seriado, também líder de audiência nos Estados Unidos desde sua estréia. ''House não é um dramalhão. O protagonista tem oscilações comportamentais e a ação está sempre no limite do certo e do errado. O público gosta disso'', defende o Gerente Nacional de Comunicação da Record, Ricardo Frota.
Produções nacionais com o tema, entretanto, tinham no passado mais espaço na grade de programação da emissora do que hoje. Um dos primeiros foi ''Obrigado, Doutor'', exibido em 1981 na Globo e com Francisco Cuoco na pele do personagem principal, o doutor Rodrigo. A história que, entre outras coisas, mostrava a falta de recursos médicos em hospitais pelo interior do Brasil não alcançou sucesso de público na época. Mas antes, em 1991, a Globo preferiu não manter por muito tempo no ar uma minissérie com um assunto delicado. Foi ''O Portador'', que falava de Aids. ''Escrevemos e gravamos 25 capítulos. Mas a emissora ficou receosa por causa do tema e só levou ao ar oito deles'', conta José Antônio de Souza, autor da história. A precaução talvez não fosse necessária. Depois da estréia, o sociólogo Herbert de Souza, conhecido como Betinho, fez elogios públicos à minissérie e ajudou a alavancar a audiência. ''O público aceitou bem a história. Hoje seria mais difícil emplacar um projeto assim. As pessoas assistem novela só para ver crimes, saber quem é o assassino. Estamos moralmente doentes'', completa José Antônio.

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