Juntos, eles formam o duo mais fascinante do cinema americano de hoje. Uma espécie de irmãos Taviani made in Minnesota, a terra natal e cenário do estonteante ‘‘Fargo’’. Descobertos há 16 anos atráves de ‘‘Gosto de Sangue’’(Blood Simple), thriller neo-noir temperado com doses letais de humor negro, Joel e Ethan Coen impuseram em oito filmes, se não um estilo, pelo menos um estado de espírito. O cinema desses irmãos novaiorquinos parece guiado por uma lógica muito particular e muito original. É bem verdade que são reconhecíveis alguns traços marcantes - senso de humor e de absurdo, um certo gosto pelo rapto e pelas neuroses. Nada que facilite muito a análise mais linear. Os Coen avançam guiados basicamente pelo desejo de fazer. E ao contrário do que se pode pensar, esta maneira de ver e registrar o mundo ao redor não os hostilizou com a oficialidade hollywoodiana. Eles continuam livres e independentes, sem reivindicar nenhum sistema, nenhuma teoria, apenas e sempre seguindo a intuição.
À exceção de ‘‘Barton Fink’’, assinado em conjunto por ambos, direção inclusive, os demais títulos da exígua filmografia (um filme em média a cada trê anos) têm roteiro-direção de Joel e roteiro-produção de Ethan. Ninguém sabe ao certo as razões de dividirem as tarefas. Certo é que, a rigor, ninguém sabe quem faz o quê na divisão de tarefas. Nas entrevistas eles também não facilitam muito as coisas. E nem se importam com isso. Quando a pergunta é para um, sem aviso prévio o outro responde a metade que o outro deixou numa frase pela metade. Eles dizem que assim é mais simples.(C.E.L.J.)