Quase realidade
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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
Luana Borges<br>TV Press 
Criar a atmosfera adequada a uma história retratada na tevê é tarefa complexa. Ainda mais quando as paisagens apresentadas na ficção dizem respeito a uma época mais distante ou são imponentes na tela. Como, por exemplo, o Centro do Rio de Janeiro dos anos 1930 e 1940, mostrado em "Joia Rara", e o clima desértico que a cenografia de "José do Egito" imprimiu à minissérie. Ou ainda a cidade ribeirinha de Tapiré, em "Além do Horizonte", com suas casas levantadas sobre as águas, em uma referência à região amazônica.
O cenário da atual trama das sete da Globo com direito a canoas e barcos navegando pelo lago que foi construído foi uma ideia de Ricardo Waddington, diretor de núcleo. A estrutura de 5.700 m², com decks e casas de madeira, reflete diretamente na direção de Gustavo Fernandez. "Posso trabalhar com um plano mais aberto. Conceituamos Tapiré com Alexandre Gomes para localizar bem cada cenário e as distâncias entre eles em virtude da dramaturgia. Algumas casas têm cenários internos e buscamos passar o máximo de realismo possível", explica o diretor geral, referindo-se ao cenógrafo da novela.
Tramas de época exigem uma pesquisa minuciosa. Para recriar os anos 1930 e 1940 retratados em "Joia Rara", foram levantadas duas cidades cenográficas e mais cerca de 40 cenários em estúdio. Os ambientes distintos, que vão desde um cabaré até um mosteiro, fizeram a equipe de cenografia, liderada por João Irênio, estudar cada um deles para não pecar na verossimilhança. A cidade cenográfica da Lapa ganhou um bonde que percorre um trajeto de quase 200 metros.
O Cabaré Pacheco Leão foi inspirado no Moulin Rouge, famosa casa noturna francesa construída em 1889, e traz muitos detalhes, predominantemente, em tons de vermelho e dourado. Em contrapartida, o mosteiro é esvaziado para estar de acordo com a filosofia budista e a realidade dos monges, que levam uma vida simples e sem bens materiais. "O trabalho da cenografia é extremamente psicológico. Podemos ajudar o ator a ter um real sentimento de angústia apenas estreitando um corredor", acredita o cenógrafo João Irênio.
Parte da estrutura do Centro do Rio de Janeiro mostrado na novela de Thelma Guedes e Duca Rachid foi aproveitada da cidade cenográfica de "Lado a Lado", antecessora no horário das seis, que mostrava o Rio de Janeiro do início do Século XX. A influência parisiense daqueles tempos foi reproduzida em uma cidade cenográfica de 2.550 m² com prédios neoclássicos e ruas estreitas em paralelepípedos. "Buscamos referências na arquitetura da época", conta o cenógrafo Fábio Rangel. Como a história também mostrou o surgimento da primeira favela carioca, a do Morro da Providência, a equipe de cenografia montou alguns barracos em tábuas de demolição.
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