Quase dentro do filme
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sábado, 01 de agosto de 2009
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Não é como estar dentro do filme, mas a experiência chega a ser bem próxima disso. Desde a semana passada, o público paranaense pode conferir de perto o que há de mais moderno em exibição audiovisual. Curitiba recebeu a segunda sala de Imax 3D do Brasil, que, mesmo com um leque limitado de opções e preço bem acima da média das salas convencionais, vem sendo a grande sensação para quem não dispensa um cineminha com pipoca.
O Imax, diminutivo de ''Imagem Maximum'', é um formato criado pela canadense Imax Corporation para exibir imagens em tamanho e resolução bem maiores do que as salas convencionais. As telas têm em média 16 metros de altura por 22 metros de largura, com som tridimensional. ''É uma evolução tecnológica gigantesca, uma experiência muito mais forte, uma imersão. Você participa do filme'', elogia o superintendente do Shopping Palladium, Anibal Tacla, idealizador da sala Dom Bosco Imax Theatre.
A sensação é realmente bastante diferente se comparada com uma sala convencional. A tela côncava do Dom Bosco Imax Theatre tem 300 m2, cobre todo o campo de visão do espectador. A ilusão de profundidade é tão bem-sucedida que muitos tentam ''pegar'' as imagens e dão risadas ao ver os objetos se aproximando.
Além disso, o som tridimensional ajuda bastante. ''O som já vem equalizado de fora, da produtora do filme, e tem cinco caixas com 12 mil watts de potência. Os melhores cinemas convencionais, mesmo com 16 a 20 caixas, não têm nem a metade disso'', explica o operador de projeção Rafael da Silva. ''Além disso, as lâmpadas dos projetores, de 6 mil watts, valorizam a qualidade da imagem e se autocalibram, o que facilita e agiliza o trabalho do operador'', completa.
A primeira sala de Imax do Brasil foi inaugurada em janeiro, em São Paulo, e a de Curitiba seria aberta em fevereiro. ''Nós adiamos para julho porque quando foi feito o contrato não havia o equipamento digital'', explica o superintendente do Shopping Palladium.
Os filmes de Imax 3D digital vêm em discos rígidos que não pesam quase nada se comparados aos 70 quilos dos fotogramas do Imax analógico. Além disso, as legendas, que não podem ser utilizadas nos cinemas 3D convencionais, estão presentes nos filmes mais recentes de Imax 3D digital.
Por enquanto, a sala Dom Bosco Imax Theatre, com 374 lugares, tem disponíveis em cartaz apenas o documentário ''Estação Espacial'' e ''Harry Potter e o Enigma do Príncipe'', mas já negocia outros títulos até o final do ano, como ''A Christmas Carol'', baseado no clássico de Charles Dickens, com voz de Jim Carrey. ''O Imax tem mais de 300 títulos no catálogo e muito do acervo analógico está sendo convertido para o digital, como documentários'', adianta Anibal, que espera cerca de 30 mil pessoas por mês na sala.
Toda essa tecnologia, porém, majora os preços dos ingressos. Os tíquetes custam R$ 30 e R$ 15, para meia-entrada, inclusive para crianças até 12 anos, e R$ 25 para exibições promocionais na quinta-feira. ''Acho que vai ser emocionante, mas o preço é um pouco salgado. Gastei R$ 75'', diz o garçom Juarez Rabelo, na fila do cinema, com o filho e a esposa.
Mesmo assim, quem já foi ao Imax 3D diz ter valido a pena. ''O 3D é muito bom, dá até um pouco de agonia, as coisas vêm mesmo na nossa frente. O cinema tem menos cadeira, menos bagunça e com a altura da tela, ninguém atrapalha na sua frente'', avalia a estudante Bruna Pielak, 19 anos, na saída da exibição de ''Harry Potter e o Enigma do Príncipe''.


