Elisa Marilia Carneiro
De Curitiba
A Quasar Cia. de Dança de Goiânia (GO) faz, hoje, às 21 horas, no Teatro Guaíra, em Curitiba, uma única apresentação da coreografia ‘‘Divíduo’’. Humor e poesia, regional e universal, popular e erudito se trançam nos movimentos que falam do cotidiano de personagens solitários.
‘‘Divíduo’’ permeia questões do cotidiano e da tecnologia, num mundo globalizado e ao mesmo tempo sofrendo com a incapacidade de comunicação. O espetáculo mexe com a eliminação da distância provocada pela informatização, em contraposição aos bloqueios que dificultam as aproximações pessoais.
O coreógrafo Henrique Rodovalho propõe um rompimento dos limites cênicos, interfere na ação representada, responde com cumplicidade ao chamado de um personagem solitário que liga para um disque-erótico, e trabalha com um entregador de pizza que sai do mundo real e se vê repentinamente no palco, em pleno espetáculo. Estas duas cenas são reais. A ligação para o disque-erótico é feita em cena e os produtores realmente pedem uma pizza que é entregue no palco para um bailarino.
Henrique buscou o tema no final do milênio, no ser sozinho. ‘‘Hoje as pessoas tentam burlar a solidão com uma pizza, um disque-qualquer e com a televisão. O espetáculo é composto de dois eixos: o primeiro, em que os bailarinos executam uma coreografia, e o outro chamado de tempo real. Nessa hora acontecem as coisas sem serem encenadas. É um trabalho inédito. O cara da pizza chega pelos fundos do teatro e vai sendo conduzido até encontrar-se no palco com a platéia. Em geral ficam todos atônitos. Alguns tentam escapar, mas o dinheiro está com o bailarino no centro do palco. Dessa forma o cotidiano interfere no espetáculo’’, adianta. Mas não é só isso, um bailarino sai para dançar na rua e é acompanhado por uma câmera, num outro momento o dançarino vai para casa de Ligeirinho e também é gravado e passado na parede do palco.
‘‘É uma tentativa de lidar com as estruturas fragmentadas do mundo atual. A complexa rede de proposições do espetáculo se estende à coreografia, que enfatiza movimentos localizados, como se o corpo também tivesse perdido a capacidade de estabelecer comunicações entre as diversas partes’’, analisa Rodovalho.
A trilha sonora de ‘‘Divíduo’’ é um trabalho de Hendrik Lorenzen. A melodia se constrói através dos atritos de frações, como os estilhaços reais das vozes de um casal que discute na noite, num eco sonoro das cidades.
Criada por Shell Jr., a cenografia do espetáculo divide o palco em quatro ambientes, cujas arestas quadradas lembram o formato de televisões. Os cômodos de apartamentos que se amontoam nas urbes do fim de século são recriados no palco.
Quasar Cia. de Dança apresenta o espetáculo ‘‘Divíduo’’. Hoje, às 21h, no Teatro Guaíra. Ingressos R$ 25,00 (platéia e primeiro balcão) e R$ 15,00 (segundo balcão), à venda somente na bilheteria do teatro. Informações: (41) 200-1993. Promoção Calvin Entretenimento.A companhia goiana, que se apresenta hoje em Curitiba, aborda questões do cotidiano no mundo globalizado
Mila Petrillo/DivulgaçãoCom vários espetáculos no currículo, a companhia Quasar desta vez empresta do cotidiano os temas da coreografia ‘‘Divíduo’’Mila Petrillo/DivulgaçãoQuasar: nova coreografia enfatiza movimentos localizados para demonstrar a perda da capacidade de comunicação

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