São Paulo, 23 (AE) - Mais quatro vozes novas ou, pelo menos, pouco conhecidas do grande público, se mostraram, segunda-feira, na Sala Rubens Sverner, do Teatro Cultura Artística, em São Paulo, na quarta eliminatória do 2.º Prêmio Visa de MPB - Edição Vocal. A cantora paulistana Adriana Godoy, a paulista de Santo André Daniela Rocha, o cantor baiano Tito Bahiense e a norte-americana (naturalizada brasileira, como exige o regulamento, e residente no Rio) Cris Delanno mostraram estilos diferentes, visões diferentes de como cantar música brasileira.
Eles estão entre os 24 candidatos selecionados de uma lista de inscrições que somou 1.300 aspirantes ao prêmio, produzido pela Rádio Eldorado e patrocinado pelos cartões Visa, que dará aos cinco primeiros colocados um total de R$ 63 mil (R$ 40 mil para o grande vencedor, que será conhecido no dia 31 de maio e fará um CD pela gravadora Eldorado).
Adriana Godoy, filha do pianista Adilson Godoy (do Zimbo Trio) e da cantora Sílvia Maria, foi a primeira a apresentar-se. Acompanhada pelo tio, o também pianista Amilson Godoy, e por Jane do Bandolim, mostrou sua versão para "Pedacinhos do Céu", de Valdir Azevedo e Miguel Lima. Adriana tem 22 anos e enorme potencial (a voz e a maneira de usá-la fazem lembrar a mãe, uma grande cantora que chegou a brilhar na bossa nova, mas preferiu não seguir carreira). Adriana é uma força ainda por lapidar, uma promessa que se cumprirá. É uma cantora altissonante, com brilho e personalidade, no samba ou na canção. O público percebeu e incentivou com aplausos.
Entusiasmo igual mereceu a segunda candidata, com estilo totalmente diverso. Daniela Rocha é, sobretudo, excelente violonista. Canta bem, mas exagera no sotaque soul, que consiste em certos anasalamentos de fins de frase musical, certos maneirismos que emulam a expressão de cantoras negras norte-americanas. Faz direito o que pretende fazer. É uma opção estética, não necessariamente a melhor entre as disponíveis.
O melhor candidato da noite foi o cantor baiano Tito Bahiense que, mesmo quando joga para o lado pop, demonstra personalidade na forma de elaborar seus números. Tem ótima voz, segura, de grande extensão, e a domina como profissional - aliás
tem longa experiência profissional, trabalhando na terra natal.
Encerrando a noite, Chris Delanno começou um pouco insegura, mas contornou o nervosismo e conquistou a platéia. É outra que tem experiência de palco e grande carisma. Foi feliz na escolha do repertório. Não conhecia ninguém na platéia (que estava lotada) e terminou aplaudida de pé. Foi mais uma bela e reveladora noite.

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