Curitiba – Durante uma extensa turnê pelo interior do Estado com ‘‘Corpo a Corpo’’, de Vianninha, há mais de 20 anos, o ator Emílio Pitta viu-se de repente numa embrulhada. A mulher do prefeito de São Jerônimo da Serra viajara e deixara trancado numa gaveta o pacote de ingressos que deveriam ter sido vendidos. Não havia um único cartaz na cidade anunciando o espetáculo – e a promoção envolvia o poder municipal, porque a renda era destinada ao Programa do Voluntariado Paranaense. Mesmo assim o ator fez questão de subir ao palco – e se apresentou para um casal que tinha vindo de Avaré, especialmente para assistir à montagem.
Essa é uma das infinitas histórias que Emílio Pitta conta com gosto, puxando pelo fio da memória. Hoje, às 18h30, ele terá oportunidade de reviver esse e outros episódios na comemoração dos 40 anos de teatro, no Espaço Arte e Cultura Brasil Telecom, em Curitiba. O encontro com o público inicia com um bate-papo e prossegue com exibição de vídeos de alguns trabalhos nos quais atuou. Nascido em Londrina há 59 anos, o artista é teimoso quando fala de suas origens. ‘‘Sô pé vermeio’’, assevera. ‘‘Não é pé vermelho, é vermeio mesmo!’’. Que assim seja.
O elemento artístico que corre nas veias tem de quem puxar. Na árvore genealógica da família consta o nome de Sebastião da Rocha Pitta, historiador brasileiro na Capitania de Pernambuco, que fundou a Sociedade Brasileira dos Poetas Esquecidos da Corte. De sua pena surgiu a ‘‘História Econômica da América Portuguesa’’, em 1678. Três séculos depois seu descendente orgulha-se dos 178 trabalhos levados a termo.
Pitta se diz incapaz de citar as peças que mais gostou de fazer, no entanto não consegue omitir montagens como ‘‘As Bruxas de Salém’’, de Arthur Miller, ‘‘Galileu Galilei’’, ‘‘Colônia Cecília’’, de Renata Palotini; ‘‘Eu, Feuerbach’’, de Tankred Dorst; ‘‘Nó Cego’’, de Carlos Vereza, entre outros títulos. Todos, momentos reconhecidamente fascinantes do teatro paranaense. E enquanto lembra do passado, Pitta desenvolve um novo projeto que pretende ver nos palcos dentro de mais alguns meses.
Serviço
‘‘Emílio Pitta – Quarenta Anos de Teatro’’. Hoje, às 18h30, no Espaço Arte e Cultura Brasil Telecom, Avenida Manoel Ribas, 115, em Curitiba. Entrada franca.

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