Quanto tempo dura um CD ?
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Toda matéria é perecível e aumentar a sua durabilidade sempre fez parte dos desejos do homem, tanto no aspecto pessoal e estético ao buscar recursos que garantam uma aparência mais jovem, quanto em conseguir preservar por mais tempo um objeto de apreço ou histórico, seja ele um disco, um livro ou uma fotografia.
Com os novos suportes tecnológicos - como o CD, DVD e o HD -, as informações visuais e sonoras passaram a ter um novo aporte e nesse 'boom' cada vez mais crescente desde a década de 80 o papel tende a perder espaço, assim como o vinil está virando peça rara. Mas será que as novas tecnologias realmente garantem uma maior durabilidade? É seguro ter apenas arquivado no computador as nossas fotos prediletas, abrindo mão do velho álbum de papel?
Nesse novo mundo de informações binárias, de bytes, megabytes e pixels, o bom senso ainda deve predominar, salientam os especialistas, até porque ainda não se passaram nem cem anos após o advento do CD para se atestar na prática a qualidade das informações armazenadas. Uma das maiores referências nacionais na área de preservação, a Fundação Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, empenha-se em digitalizar o seu acervo, mas não despreza os velhos suportes de informação. ''O digital facilitou muito o acesso dos usuários aos nossos arquivos, mas ainda utilizamos a microfilmagem, que apesar de preservar as imagens apenas em branco e preto, é ainda uma garantia segura de preservação'', afirma Vera Lúcia Menezes, coordenadora de microrreprodução da Biblioteca Nacional.
E com a velocidade da mudança dos equipamentos tecnológicos, os atuais suportes também correm o risco de se tornarem obsoletos mais rapidamente.
Na Divisão de Música e Arquivo Sonoro da Biblioteca Nacional, os antigos suportes também são valorizados e dividem o espaço com o novo. ''Não descartamos o antigo, como os velhos discos de 78 rotações por minuto, que datam de 1900. O antigo não pode ser visto apenas como fetiche e é um material original que serve de pesquisa'', destaca Elizete Higino, chefe do setor. ''Mesmo quando temos os materiais raros digitalizados, alguns pesquisadores solicitam a audição do original para verificar se algum tipo de som não foi captado na digitalização'', acrescenta.
Dentro do projeto Passado Musical, que teve apoio da Petrobras, 11 mil discos já foram tratados e catalogados dentro de procedimentos modernos e 4 mil discos já forma digitalizados. Todo material original é acondicionado em condições especiais de temperatura e até um papel com PH neutro é utilizado para embalar os discos de vinil e reduzir os riscos de oxidação.
E quando pensamos na preservação de CDs em uma esfera caseira, é recomendável que eles não sejam armazenados empilhados e não se deve guardar CDs ou DVDs em gavetas próximas de fontes de calor, o que pode causar um efeito ''estufa'' que poderá danificar as informações armazenadas.
No âmbito da imagem, o fotógrafo Rui Cabral, que trabalha no Museu Histórico de Londrina, recomenda a impressão das fotos digitais, além de sempre manter uma cópia de segurança das imagens. ''Contar com as fotos apenas no computador é estar à mercê de alguma pane ou vírus que pode destruir registros que não voltam mais'', afirma.
Ele também comenta que a foto digital provocou uma mudança de comportamento nas pessoas. ''Nunca se fotografou tanto e tão mal e as pessoas deixaram de ter aquela preocupação de aproveitar ao máximo o filme fotográfico. Antes até a forma de revelar interferia na qualidade da foto e hoje todos se acham fotógrafos profissionais'', brinca.
Nesse caminho sem volta, vale a pena não confiar no seu antivírus, ter a consciência da necessidade de estar sempre atualizando os suportes dos arquivos digitais e voltar a montar versões novas dos velhos álbuns, mesmo com a possibilidade das fotos se amarelarem pela ação inexorável do tempo.


