Sim, livro infantil é caro. Os bons lançamentos dificilmente custam menos de R$ 25, e são muitos os que passam de R$ 50. Embora haja aquelas coleções mais simples e baratas, no geral uma obra infantil acaba custando o preço de um brinquedo. Além do fato de livros em geral no Brasil custarem muito, os voltados para crianças ainda têm elementos que encarecem ainda mais a obra, como a encadernação mais resistente, páginas coloridas, ilustrações e outros elementos de interação, como peças para manusear e sons. ''Livros assim são importantes para a criança começar a tomar gosto pela leitura'', explica Maria Márcia Magro, subgerente da Livraria Porto em Londrina.
Márcia lembra, porém, que a faixa de preços das obras para crianças é bastante extensa. ''Temos bons livros a R$ 59,90. Mas com menos de R$ 20 também é possível encontrar livros bacanas com histórias legais'', garante. A subgerente observa que crianças mais habituadas ao universo da leitura e cujos pais também lêem bastante geralmente são as que preferem os livros mais clássicos.
E não é preciso ter o livro mais caro para ingressar na fantasia através da leitura. A médica veterinária Aline Zanluchi Queiroz, 34 anos, reconhece que os recursos visuais e manuais são importantes para chamar a atenção de sua filha Betina, de 1 ano e 9 meses. ''Ela precisa tocar, mexer, e a imagem tem que ser bem colorida e grande'', afirma. Mas, sem condições de comprar livros novos toda semana, ela recorre aos sebos. ''Na idade em que a Betina está, o fato de ser usado não tem tanta importância'', comenta.
Embora não encontre os últimos lançamentos no sebo, Aline tem outras formas de compensar isso. ''Adoro ler, e leio bastante para ela. E sempre que tenho tempo trago ela à livraria. Este é o seu lugar preferido no shopping'', revela. Além de disponibilizar o espaço para crianças, a livraria Porto realiza todo sábado, das 16 às 18 horas, sessões de contação de histórias.
Transformar a leitura em hábito foi a saída encontrada pela psicóloga Adriana Mendonça, 35 anos para que o pequeno Vítor, 4 anos, também descobrisse o prazer de ter um livro em mãos. ''Sempre lemos para ele, desde muito pequeno'', conta a mãe. Como resultado, uma única história não é mais suficiente para que o garoto durma. ''Ele pede para lermos uma história, depois outra, depois outra. Temos que dizer chega, se não ele não dorme.''
Fã do espaço infantil da livraria, Vítor às vezes pede um livro mais caro. Mas geralmente é a história, e não os extras, que define a escolha do garoto. Com um livro de dinossauros nas mãos, ele nem se atém aos bichos coloridos de plástico que podem ser manuseados. ''Esses recursos extras são importantes, mas não mais que a história. E também é essencial que a gente tenha o hábito de ler e deixe a criança sempre em contato com os livros'', ensina a mãe.
Já Viviane e André Mateus sempre procuraram comprar os livros mais educativos, independentemente do preço. Mas isso não fez de sua filha, Amanda, 10 anos, a maior fã de leitura. ''Gosto muito de ler gibis, mas livros mais grossos, não'', admite. Ainda assim, para ela, os desenhos e os recursos extras não são os fatores determinantes na hora de escolher um livro. ''Vejo o nome do livro, se tem poucas palavras, se a letra não é muito pequena. Os desenhos, tanto faz. Só não gosto de papel muito fino porque rasga'', revela.

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