A reportagem da FOLHA propôs a dois premiados autores londrinenses que escrevessem microcontos ou poemas com no máximo 140 caracteres. Ganhador de três prêmios Shell como autor de peças teatrais em parceria com o diretor o grupo Armazém Paulo de Moraes, Maurício Arruda de Mendonça escreveu um texto com exclusividade para a Folha2 e afirma não ter dificuldade de escrever de forma concisa.
"Depende do escritor. No meu caso não sinto nenhuma dificuldade. Mas esses limites de espaço e concisão também não são algo desconhecido dos artistas em geral. Eles são uma requisito pra quem escreve de poemas até romances. O que é importante lembrar é que esse tipo de limite não é uma garantia de qualidade estética. Mesmo com essas regras de exiguidade da 'twiteliteratura' pode-se encontrar textos tremendamente prolixos", relata o escritor.
Mendonça destaca ainda que, em termos de criação literária, a concisão é uma regra muito antiga e desejada. "Os romanos e mesmo os japoneses nos ensinaram isso há milênios. Entre nós Oswald de Andrade, um grande modernista no século XX, nos mostrou como é possível ser sintético e profundo a um só tempo."
Na avaliação de Mendonça, a Twitteratura é apenas um modismo. "Acho que isso é uma moda. E como tal, passageira. Anteriormente se alardeou que o futuro era a literatura dos blogs. Mas o que acho meio chato nesse tipo de moda é que ele submete o criador e principalmente o leitor não só às obras descartáveis sem nenhuma profundidade, mas sobretudo a uma instantaneidade, a um achatamento do tempo que é francamente a negação da contemplação artística. Me incomoda ser moldado por uma temporalidade que não é só da comunicação digital, mas principalmente do mercado de bens digitais", lamenta.
Poeta, tradutor e músico, Rodrigo Garcia Lopes critica o limite imposto pela Twitteratura. "Eu, particularmente, acho que para contar uma história é preciso mais do que 140 caracteres, que são insuficientes para desenvolver uma trama, uma intriga", afirma.
Apesar disso, ele diz que acha que é possível se enquadrar no padrão estabelecido de 140 caracteres, conforme o poema que ele escreveu sobre o tema. "Concisão não é tanto uma questão de quantidade, mas de qualidade (num poema, você pode ser 'conciso' e não dizer coisa nenhuma). Tal limite força o criador a obter o máximo de expressividade com um mínimo de palavras."
Lopes avalia a Twitteratura como um efeito dos tempos velozes, ansiosos. "Agora, se é uma moda ou algo que vai ficar, deixo para os futurólogos de plantão", conclui. (M.R.)

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