No sertão nordestino, homens fora-da-lei fazem e acontecem. Haverá alguém capaz de dar cabo às arruaças promovidas por esse bando de cangaceiros destrambelhados? Quem em sã consciência ousaria confrontar-se com esses cabras machos? Somente alguém de fibra e coragem suficientes poderia peitar os bandidos. Mas quem? Ora, ora, o palhaço Picolino. Que chega à hospedaria de uma típica de cidade nordestina numa carruagem dirigida por uma singela dona. Lá pelas tantas da viagem, a moça pede ao acompanhante, que está se ardendo em dores por causa de uma maldita unha encravada, para segurar o bebê. Chacoalha daqui, chacoalha dali, e a pequena criança manda seu recado. Ou seja, faz aquele xixi quente e demorado. É um chuá interminável. Danou-se!!
Essa é apenas uma das cenas que fazem a platéia gargalhar até virar do avesso no espetáculo ''Picolino e os Cangaceiros'', que será apresentado hoje, às 17 horas, no Cine-Teatro Ouro Verde, dentro da programação do segundo dia do Filo. É uma pantomima cômica escrita, dirigida e protagonizada por Ricardo Queirollo, alter ego do palhaço Picolino, que completou 80 anos de idade em janeiro passado.
A montagem, que conta com dez atores e um músico, é destinada principalmente ao público infantil. Mas quem não gosta de uma boa traquinagem, do humor despretensioso e, claro, de muita palhaçada no bom sentido, obviamente, afinal Picolino é um ícone do mundo circense, um cidadão mundial da alegria. ''Picolino é um vivaldino'', resume Ricardo Queirollo. ''É um personagem que só me honra'', complementa.
O bacana do espetáculo, com duração de 45 minutos, é a maneira com que Picolino vai exterminando os bandidos. Numa época de armas de destruição em massa e tiranos em pele de cordeiro, as armas utilizadas para tirar de cena tais cangaceiros são, no mínimo, absurdas: frigideira, prato, bafo de jibóia, chulé e... É mole ou quer mais? Então por que não passa lá no Ouro Verde para ver as estripulias de Picolino!?
FICHA TÉCNICA
''Picolino e os Cangaceiros'', com Ricardo Queirollo e elenco. Texto e direção de Ricardo Queirollo, que interpreta o palhaço Picolino.

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