Quando sonhar não era piegas
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sexta-feira, 01 de fevereiro de 2002
Rodrigo Souza Grota Reportagem Local 
Quase todo jovem passou por uma primeira paixão avassaladora. A diferença é que há algumas gerações não era estranho sonhar com a musa, admirá-la em sua beleza eterna, contemplá-la com o mais doce sabor da inocência. Um retrato singelo desse ritual está em Verão de 42 (Summer of42, EUA, 1971) que inicialmente foi lançado no Brasil com o título Houve Uma Vez Um Verão , produção caprichada de Robert Mulligan que chega agora ao mercado de vídeo em formato digital. Se você nunca assistiu a essa preciosidade nas eternas sessões noturnas da TV Globo, certamente irá lembrar a melodia composta pelo francês Michel Legrand ela embalou as famosas sessões da Globo nos anos 80, aquelas programadas para a alta madrugada e que só exibiam clássicos raríssimos.
Mulligan não é um grande diretor em seu currículo constam películas como A Inocente Face do Terror e O Sol é Para Todos. Mas em Verão de 42 não havia como errar o roteiro de Herman Raucher mostra o primeiro encontro do jovem Hermie (Gary Grimes) com Dorothy (Jennifer ONeill), uma mulher mais velha e sedutora. Ambos se apaixonam e vivem aqueles momentos inesquecíveis e, mesmo imperfeitos, a memória irá lhe assegurar que tudo foi como você idealizara. Assim como outras produções modestas dos anos 70, o filme tem um sabor de pequena obra-prima, próxima de A Primeira Noite de um Homem no frescor, e enriquecida pela lente nostálgica de Robert Surtees. Conclusão: reveja.
Lançamento: Warner. Duração: 104 minutos.
ReproduçãoClint Eastwood é o protagonista da série com o policial Dirty Harry, anti-herói americano
A verdade pela violência
O cinema policial americano ressurgiu em 2001 com três obras primorosas: Amnésia, Caminho Sem Volta e Traffic. Entretanto, seu período áureo remonta aos filmes de gângster dos anos 30, aos policiais noir os 40 e 50, e aos thrillers estilizados dos anos 60 e 70. Nessa última safra, inclui-se a saga de um típico anti-herói do ideário norte-americano, Dirty Harry, aquele policial que atinge a verdade pelos meios mais inescrupulosos que possam existir. Toda essa série de cinco filmes estrelados por Clint Eastwood está em um pacote lançado pela Warner, composto por Perseguidor Implacável (1971), de Don Siegel; Magnun 44 (1973), de Ted Post; Sem Medo Da Morte (1976), de James Fargo; Impacto Fulminante (1983), do próprio Eastwood; e Dirty Harry Na Lista Negra (1988), de Buddy Van Horn.
A série relembra um cinema que apostava nos submundos mais tortuosos dos americanos, ou, simplesmente, no outro lado da história. Dirty Harry é símbolo de uma faceta que os EUA sempre ignoraram, de um mal-estar que não pode ser erradicado e que mesmo assim é essencial à sociedade. Eastwood vestiu esse personagem com todo o seu potencial de ídolo caído, mostrando ao público, principalmente no filme dirigido pelo gênio Don Siegel, todo o lado negro dos heróis que a história oficial não conta. Felizmente, Eastwood nos contou.


