Uma vida agitada, com hora para chegar mas não para sair da festa. Onde há uma boa balada lá estão eles. Mas o compromisso é com o trabalho, e não com a festa. Ligados 24 horas ao mundo da noite, os promoters dão o sangue e lágrimas por um agito e são parte essencial de um clube, tendo como principal objetivo arrastar consigo uma multidão. Quem vê de fora, pode achar que a vida dessas pessoas é só glamour, mas a rotina é intensa. O que na teoria parece lindo e perfeito, na prática, se revela uma atividade que exige muito mais do que distribuir sorrisos, simpatia e curtir com a galera.
Warney Costa, há 12 anos nos bastidores de grandes festas, conhece muito bem tudo que envolve uma ''big'' noite. ''Fazer uma festa não é tão simples como muitos pensam. Por trás de cada evento, seja do mais simples ao mais complicado, existem milhares de pequenos detalhes que podem ser a razão do sucesso ou do fracasso. É preciso trabalhar com uma equipe muito experiente, competente, comprometida com o trabalho e atenta''.
Da mesma opinião compartilha Daniel Balan, companheiro de trabalho de Costa em dois clubes conhecidos de Londrina, e que carrega no currículo uma vasta lista de bem-sucedidos eventos. ''Planejamento em todos os aspectos, desde a contratação das atrações, direcionamento do público-alvo, divulgação, organização, até o feedback final são frutos do sucesso de uma balada'', ensina ele.
O fato de gostar de estar na noite desde a adolescência foi crucial na escolha da profissão de Saulo Rocha. Há quase duas décadas decidindo quem entra ou não nas baladas, o londrinense tornou-se figura mais conhecida que muitos políticos da cidade. Esse conhecimento ele credita a três fatores: carisma, humildade e bom relacionamento. Essa somatória, segundo ele, só pode gerar bons comentários. ''Tratar bem as pessoas e fidelizar clientes são frutos do sucesso. Não adianta eu convencer alguém a ir a um evento que estou promovendo se a pessoa não sair satisfeita. Isso iria fazer com que ela nunca mais retornasse a um evento realizado por mim. Tratando o cliente bem, certamente ele voltará e trará mais pessoas'', ensina.
Partindo da premissa de que um bom promoter deve ter muita paciência, dedicação e persistência, Denizete Ramalho se tornou o nome mais conhecido da noite maringaense. Ela, que há mais de dez anos dá vida à noite da Cidade Canção, faz um alerta para quem sonha em ingressar nesse ramo. ''O profissional dessa área deve ser humilde, natural e lembrar que sempre existe um dia após o outro''.
Além de serem PhDs em tudo que envolve eventos, esses animadinhos sabem como ninguém definir uma festa perfeita. ''Para mim é aquela em que a mulherada chega linda, maquiada, de chapinha no cabelo, salto alto, e volta pra casa descabelada, borrada e descalça, de tanto festar. Sinal que a festa foi boa'', declara o bem-humorado Rocha. Já para Warney, nada é mais importante que uma noite em que tudo funciona perfeitamente e que todos saem satisfeitos e felizes. ''É muito gratificante ouvir elogios no outro dia e saber diretamente de seus clientes que eles gostaram'', completa. Segundo Denizete, a junção de bons DJs, banda e a galera totalmente no clima resumem a festa perfeita.
Tanta dedicação muitas vezes afeta a vida pessoal. Como conciliar uma rotina amorosa e familiar com tanta festa e balada? Só com muita compreensão do parceiro (a). ''Namoro há mais de dois anos e meu relacionamento só da certo porque minha namorada entende muito bem o que eu faço e, além do mais, ela também gosta de uma boa balada'', diz Saulo Rocha.
Para a maioria dos promoters, a atividade começa como uma forma de garantir uma renda extra, geralmente organizando festas de amigos. Mas o promoter pode ter um salário fixo, dependendo da casa para a qual presta serviços, e ainda ganha comissão sobre a quantidade de pessoas que consegue levar para cada festa. ''Levando a profissão a sério, é possível se dar bem'', garante Rocha.

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